Ferrovias
Governo destina ferrovias ociosas a estados e municípios
Mais de 310 km de trilhos no PR e ES serão usados em projetos urbanos, turísticos e culturais
O Ministério dos Transportes firmou, na última terça-feira (30), acordos de cooperação técnica para a cessão de trechos de ferrovias inativas nos estados do Paraná e do Espírito Santo. Ao todo, as áreas somam mais de 310 quilômetros e abrangem 18 municípios. Sem viabilidade econômica para o transporte de cargas, os trechos serão destinados a governos locais para o desenvolvimento de projetos voltados à mobilidade urbana, turismo e cultura.
A iniciativa integra a estratégia do governo federal de reaproveitamento de ativos de infraestrutura ociosos. Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, quando a operação ferroviária deixa de ser viável para cargas, a melhor alternativa é permitir que estados e municípios utilizem essas áreas em projetos que atendam às demandas da população.
A assinatura dos acordos marca a etapa inicial do processo. Na sequência, a União deverá contratar estudos técnicos para definir diretrizes e regras para a transferência definitiva dos espaços. O modelo de cessão de trechos ferroviários sem uso comercial já foi adotado em Araraquara (SP), e há estudos em andamento para replicar a iniciativa em Aracaju (SE) e Campina Grande (PB).
No Espírito Santo, o acordo envolve cerca de 260 quilômetros da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), atualmente sob concessão da VLI. O governo estadual pretende utilizar o corredor para integrar municípios por meio de iniciativas ligadas ao turismo, ao esporte e a novas atividades econômicas, beneficiando 11 cidades.
No Paraná, a cessão prevê entre 50 e 80 quilômetros de trilhos inoperantes da Malha Sul, administrada pela Rumo. O trecho passa por sete municípios — Arapoti, Carambeí, Castro, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Ponta Grossa e Ventania — onde as administrações locais já discutem novos usos para as áreas. Em Piraí do Sul, por exemplo, há proposta para transformar o espaço ferroviário em um parque urbano integrado a equipamentos culturais e artísticos.