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Governo do Brasil dará 2.600 bolsas para mestrado e doutorado a estudantes africanos
O programa Capes-Move África será dividido em duas etapas de seleção, com 800 bolsas de mestrado e 500 de doutorado em cada uma delas. Investimento será equivalente a 7,9 milhões de euros.
O Brasil decidiu fortalecer e expandir a cooperação na educação superior com os países do continente africano. Para isso, o governo brasileiro dará, por meio da Capes, 2.600 bolsas de estudos para mestrado e doutorado a estudantes da África nas universidades brasileiras.
Segundo detalhou a Capes ao PÚBLICO Brasil, as 2.600 vagas serão divididas em duas etapas de seleção e, em cada uma delas, serão disponibilizadas 800 vagas para mestrado, com duração de dois a seis meses e 500 para doutorado, com prazos de quatro a 10 meses.
Os estudantes selecionados receberão benefícios como bolsas mensais, auxílio-deslocamento, auxílio-instalação, seguro-saúde e apoio financeiro para o projeto de pesquisa. O programa Capes-Move África custará 47,4 milhões de reais, o equivalente a 7,9 milhões de euros.
O anúncio das bolsas de estudo foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília, na segunda-feira, 25 de maio. O encontro, segundo Lula, tem o objetivo de consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral entre o país e o continente africano.
“O dia de hoje é um chamado à ação para renovar uma parceria baseada em respeito mútuo, solidariedade, inovação e visão de futuro. Brasil e África têm muito a construir juntos”, disse o presidente.
O encontro, que vai até quarta-feira, 27 de maio, reúne 70 reitores brasileiros e 64 reitores africanos de mais de 30 países e marca uma nova etapa nas relações acadêmicas, científicas e tecnológicas entre os dois continentes. “Esta iniciativa é um convite a olhar para o futuro e reconhecer a centralidade desse continente para o mundo”, acrescentou Lula.
Universidades irmãs
Na avaliação de Lula, a cooperação educacional entre países do Sul Global pode transformar a realidade. “Já possuímos uma base bastante sólida. Estão em vigor 235 acordos entre universidades brasileiras e africanas, abrangendo 38 países do continente. Podemos dar um passo além, desenvolvendo o conceito de universidades-irmãs para ampliar a colaboração acadêmica, estimular a mobilidade estudantil e aprofundar parcerias”, assinalou.
Em seu discurso, o líder brasileiro também defendeu o fortalecimento do ensino a distância como ferramenta de integração acadêmica. E frisou: “O Brasil possui um dos maiores sistemas de ensino a distância do mundo e pode multiplicar o intercâmbio acadêmico sem deslocamento geográfico ou custos para os alunos”. O Brasil já oferece várias disciplinas para estudantes de Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Para a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, quanto mais diversos forem os estudantes e professores, mais promissores serão os resultados. “Por isso, criamos o Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul, que já passou por diversos países da África e da América Latina, promovendo troca de tecnologias e saberes”, destacou ela, reforçando que o “continente africano desempenha um papel central na história da humanidade e tem relevância expressiva no comércio global”.
O ministro da Educação do Brasil, Leonardo Barchini, por sua vez, destacou os avanços promovidos nas últimas décadas na expansão do ensino superior brasileiro, com a criação de universidades e institutos federais, ampliação dos cursos e programas de acesso à educação, como o Prouni e o Reuni.
No entender dele, a relação do Brasil com os países africanos vem de séculos. “São inúmeras as diásporas do Brasil, mas ressalto a importância das mãos africanas na construção do nosso país. Por isso, fazer do Brasil um país mais digno e mais acolhedor para quem faz parte de nossa história é nossa missão inegociável. Este Fórum é a expressão do nosso desejo brasileiro e africano de união e cooperação do Sul Global”, disse o ministro.
Oportunidades e desafios
Reitora da Universidade de Cabo Verde, Astrigilda Silveira assinalou que o Fórum realizado em Brasília representa um marco para a construção de soluções conjuntas entre Brasil e África por meio da educação e ressaltou a importância de se reunir “universidades que acreditam que o conhecimento aproxima continentes, cria oportunidades e impulsiona soluções para os desafios dos tempos atuais”.
Olusola Oyewle, secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, enfatizou, durante o Fórum, o papel das universidades no enfrentamento de desafios sociais e econômicos no continente africano. Segundo ele, a África enfrenta vários desafios, na saúde, no clima e em relação à insegurança alimentar. “Acreditamos que, quando estamos desenvolvendo as nossas universidades, desenvolvemos o continente africano.”
Também presente no encontro, a reitora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, Georgina dos Santos, reafirmou o compromisso das universidades brasileiras com a construção de redes de cooperação internacional. “As universidades federais brasileiras se comprometem com a celebração de parcerias e redes que possam afrontar os problemas e questões que afligem o nosso povo, reconhecendo, trocando e construindo formação técnica e conhecimentos que sejam capazes de contribuir com soluções e novos olhares sobre os velhos problemas”, frisou.
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.