Hidrovias
Governo estrutura concessão da Hidrovia Verde para enfrentar gargalos
Corredor de 1.602 quilômetros liga Manaus à Barra Norte e atende ao transporte de grãos, minérios, combustíveis e fertilizantes
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estão estruturando o projeto de concessão da Hidrovia Verde, corredor de aproximadamente 1.602 quilômetros entre Manaus (AM) e a Barra Norte, na foz do Rio Amazonas. A iniciativa busca melhorar as condições de navegação e dar maior previsibilidade ao transporte de cargas e passageiros em uma rota estratégica para o abastecimento da Região Norte e o escoamento da produção brasileira.
O diagnóstico preliminar do projeto identifica gargalos no Canal do Tabocal e na foz do Rio Madeira, trechos que podem impor restrições à navegação, especialmente durante a estiagem. As condições de profundidade nesses pontos interferem na programação das viagens e na capacidade de transporte das embarcações.
A estruturação da concessão prevê a avaliação de intervenções e serviços necessários para aumentar a regularidade das operações. A primeira proposta de modelagem será desenvolvida a partir das contribuições de reuniões participativas conduzidas pela Antaq, que abordam aspectos ambientais, de engenharia e de mercado.
Nesta etapa, ainda serão definidos os serviços a serem prestados, as intervenções previstas e os parâmetros de navegação do corredor. O projeto, portanto, está em fase de diagnóstico e estruturação, sem definição apresentada de investimentos ou de cronograma para eventual leilão.
A Hidrovia Verde conecta os estados do Amazonas, Pará e Amapá e movimenta uma ampla variedade de mercadorias. Entre os granéis sólidos estão grãos, cereais, sementes oleaginosas, minérios e fertilizantes. A rota também atende ao transporte de combustíveis, óleos minerais e produtos químicos, além de veículos, máquinas, equipamentos industriais e cargas conteinerizadas.
A distribuição de combustíveis exemplifica a integração logística entre os estados. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) citados pelo MPor, a maior parte do diesel que abastece o Amapá tem origem no Pará.
No Amazonas, as operações exigem adaptação às condições dos rios para atender Manaus e municípios do interior. Entre os pontos de atenção identificados estão Itacoatiara, a Enseada do Madeira e o Canal do Tabocal.
Em períodos de restrição de calado, podem ser necessárias operações de alívio de carga e transbordo, nas quais parte das mercadorias é transferida entre embarcações para permitir a passagem por trechos de menor profundidade. Esses procedimentos podem aumentar a complexidade operacional e interferir no planejamento das viagens.
A proposta de concessão pretende avaliar soluções para melhorar as condições operacionais do corredor. A Barra Norte, na foz do Amazonas, é um dos pontos estratégicos do projeto, por concentrar o acesso marítimo ao sistema fluvial.
A expectativa é que os estudos permitam estabelecer uma proposta compatível com as necessidades de transporte, as condições de navegação e as exigências ambientais do corredor. O desafio é melhorar a regularidade da navegação em uma área em que as condições naturais dos rios têm influência direta sobre a capacidade de transporte e a logística regional.