Internacional
Governo leva a Nova York plano de concessões para rodovias e ferrovias
Em encontro com empresários norte-americanos, ministro dos Transportes defende integração logística e segurança alimentar como atrativos
Em encontro com investidores norte-americanos realizado na quinta-feira (15), em Nova York, o ministro dos Transportes, Renan Filho, apresentou o potencial dos projetos rodoviários e ferroviários brasileiros. Com 12 leilões de rodovias realizados desde o início de sua gestão e outros 13 previstos até o fim de 2025, o ministro destacou também o pipeline do setor ferroviário, com foco na expansão da malha e na atração de capital estrangeiro.
A proposta ferroviária, voltada à integração logística nacional, prevê investimentos de R$ 138,6 bilhões em 15 ativos, cobrindo 18,8 mil quilômetros de extensão em todas as regiões do país. Parte dos recursos virá de leilões e parte de repactuações com concessionárias atuais.
Para Renan Filho, é necessário reposicionar a infraestrutura brasileira em função das transformações econômicas e da nova geografia da produção e do consumo, especialmente com o crescimento do Centro-Oeste como polo exportador. Ele também ressaltou o atual contexto internacional como uma oportunidade para o Brasil ganhar espaço no fluxo global de investimentos.

Em Nova York, Renan Filho disse que é necessário reposicionar a infraestrutura brasileira em função das transformações econômicas e da nova geografia da produção e do consumo. Foto: Marcio Ferreira/MT
“O Brasil, hoje, possui a maior carteira de concessões rodoviárias do planeta e deseja também consolidar uma carteira robusta de concessões ferroviárias, para atrair investimentos privados com rentabilidade, sustentabilidade ambiental e foco na segurança alimentar do planeta. Isso representa uma complementaridade estratégica da nossa economia com diversas regiões do mundo, especialmente em um momento como este, em que os Estados Unidos impõem tarifas e geram uma insegurança global sem precedentes”, destacou.
A maior parte dos investimentos ferroviários se concentra no Sudeste (R$ 46,9 bilhões), seguido por Nordeste (R$ 33,1 bilhões), Norte (R$ 30 bilhões) e Oeste (R$ 28,6 bilhões). Entre os projetos apresentados, estão a Nova Fiol 1 Porto, Açailândia–Barcarena, EF-118, Corredor Minas–Bahia, Ferrogrão e ligações como Salgueiro–Suape e Fortaleza–Sobral.
A principal prioridade do governo é o corredor Fico–Fiol, que conecta a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) à Ferrovia Oeste–Leste (Fiol), formando um eixo estratégico para o escoamento de grãos e minérios até os portos da Bahia.
Segundo o secretário nacional de Transportes Ferroviários, Leonardo Ribeiro, a estratégia combina concessões com aportes públicos e repactuações contratuais. “A grande novidade aqui são os aportes governamentais”, destacou.
“Os contratos estabelecem mecanismos de compartilhamento de risco, trazendo a experiência do setor rodoviário. Estamos fazendo algo inédito, que é a integração. O diferencial desta missão é colocar rodovias e ferrovias lado a lado, para mostrar ao mundo que a intermodalidade, a infraestrutura integrada brasileira, é o que realmente funciona do ponto de vista pragmático: a rodovia levando a carga até os terminais rodoferroviários e a ferrovia transportando essa carga até os portos”, concluiu.
Rodovias
O plano de concessões rodoviárias prevê para 2025 a realização de 15 leilões, com R$ 161 bilhões em investimentos e 8.449 quilômetros de novos trechos a serem concedidos. Para 2026, a previsão é ampliar a carteira com mais de 20 projetos.
Um dos pilares dessa agenda é o Programa de Otimização de Contratos, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), voltado à reestruturação de concessões com desempenho abaixo do esperado. A iniciativa pode destravar até R$ 110 bilhões em investimentos até 2026.
“É uma inovação com um potencial imenso de investimentos. Essa é uma solução boa para a concessionária, boa para o usuário e boa para o país”, afirmou a secretária Nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, durante o roadshow promovido nos Estados Unidos desde segunda-feira (12), com encerramento nesta sexta-feira (16).