Centro-Oeste Export
Granel Química prepara corredor ferroviário entre Goiás, Santos e Itaqui
Terminal multimodal de granéis líquidos será inaugurado em novembro para integrar o Centro-Oeste aos portos e ampliar a competitividade da cadeia logística
A Granel Química está na reta final das obras de seu novo terminal multimodal de granéis líquidos em Santa Helena de Goiás. Com inauguração prevista para novembro, o empreendimento foi concebido para atender a crescente demanda do Centro-Oeste por combustíveis, biocombustíveis e produtos químicos, além de conectar a região aos portos de Santos (SP) e Itaqui (MA) por meio da Ferrovia Norte-Sul.
Os detalhes sobre o empreendimento foram apresentados pelo CEO da Granel Química, Edson Souki, durante sua participação no Centro-Oeste Export, fórum promovido pelo Grupo Brasil Export.
O projeto é resultado de um trabalho iniciado em 2021, quando a empresa foi convidada pela então Valec, atualmente Infra S.A., a desenvolver estudos para implantação de um terminal ferroviário na região. Após análises técnicas e de mercado, a companhia optou por construir uma unidade em área própria.
Segundo Souki, a decisão foi baseada no potencial logístico e econômico do sudoeste goiano, que concentra uma das maiores produções de biocombustíveis do país.
“Esse investimento foi muito pensado e analisado. Partiu de uma avaliação de demanda e fomos surpreendidos quando nos aprofundamos no estudo de mercado. Vimos que esta região apresenta números de altíssimo potencial”, afirmou.
O terminal contará com seis tanques de armazenagem e capacidade inicial para movimentar cerca de 1 milhão de toneladas de granéis líquidos por ano, entre etanol, biodiesel, combustíveis, óleos vegetais e produtos químicos. Em etapas futuras, a estrutura poderá ampliar significativamente sua capacidade operacional.
O executivo destacou que a região reúne características que justificam o investimento. Além de produzir aproximadamente 8 milhões de toneladas de etanol, o estado de Goiás consome cerca de 7 milhões de toneladas de diesel por ano para abastecer o agronegócio e os centros urbanos. O executivo também chama atenção para a forte cadeia de produção de biodiesel instalada entre Goiás e Mato Grosso.
“Entre Goiás e Mato Grosso está quase 40% da produção nacional de biodiesel. Essa indústria consome grandes volumes de metanol, soda cáustica e ácido sulfúrico, produtos que fazem parte do nosso portfólio. Além disso, estamos a cerca de 400 quilômetros do principal polo produtor de celulose do Mato Grosso do Sul, outro importante consumidor de granéis líquidos”, explicou.
Para a empresa, a localização estratégica de Santa Helena de Goiás permitirá consolidar um novo corredor logístico ferroviário para o transporte de líquidos a granel, reduzindo custos e ampliando a competitividade da cadeia produtiva.
“Essa região está conectada a dois portos importantes do Brasil e está no centro de uma forte geração de carga e demanda por granéis líquidos. Foi essa identificação que nos motivou a realizar o investimento”, disse o CEO.
A expectativa da Granel Química é utilizar a Ferrovia Norte-Sul para integrar o terminal aos portos de Santos e Itaqui, oferecendo uma alternativa logística mais eficiente ao transporte rodoviário. A estratégia também aproveita a presença global da companhia, que possui terminais e operações marítimas em diferentes mercados internacionais.
“Queremos conectar Santos e Itaqui, a partir daqui, a esses mercados locais por ferrovia. Assim trazemos mais competitividade para a cadeia logística. Com nossa rede de terminais portuários e navios, conseguimos ligar o produtor do Centro-Oeste aos mercados da América do Norte, Europa e Ásia por meio de um fluxo logístico completo e mais competitivo”, concluiu Souki.