Região Sudeste
Guarujá embarga obra da MRS Logística por problemas no projeto
Segundo a Prefeitura, intervenções estão causando alagamentos; moradores já perderam pertences
A Prefeitura de Guarujá embargou os acessos ao canteiro de obras da MRS em Vicente de Carvalho, no litoral paulista, alegando problemas de planejamento. Segundo a gestão municipal, as intervenções impactaram a macrodrenagem da região, causando problemas em moradias do entorno – inclusive com moradores denunciando a situação nas redes sociais.
“Meu compromisso é defender os interesses da população de Guarujá. Nosso povo e nossa cidade merecem respeito. Assim que o problema estiver resolvido por parte da empresa voltarei para verificar se a obra tem condições de prosseguir e liberar o acesso”, disse o chefe do Executivo municipal, Farid Madi (Pode), em um vídeo publicado nas redes sociais, durante uma visita que o prefeito fez no local para conversar com munícipes e com representantes da empresa.
A revolta de quem vive no entorno do local veio após as fortes chuvas que atingiram a região da Baixada Santista, no último fim de semana (19 e 20). Dezenas de famílias enfrentaram uma enchente que, segundo elas, nunca havia sido vista. Muitos perderam móveis e eletrodomésticos com a invasão da água em suas casas. Segundo os moradores, a obra da MRS estaria bloqueando o escoamento da água.
A chuva em Guarujá superou a média histórica do mês de abril na Cidade. Na manhã de domingo (20), o acumulado médio de chuva das 24 horas anteriores somava 144,9 mm, enquanto a média histórica para todo o mês é de 133 mm.
Após o temporal, os moradores realizaram um protesto e montaram barricadas junto aos trilhos com os entulhos e móveis que foram destruídos pela enchente.
Termo de Compromisso
Em 2020, a MRS Logística S/A assinou um termo de compromisso com a Prefeitura de Guarujá no valor de R$ 5,9 milhões destinados ao apoio à produção habitacional do Parque da Montanha.
O valor é justamente para construção de moradias para as centenas de famílias das comunidades Marezinha e Prainha, que vivem às margens dos trilhos da empresa. O Conjunto Habitacional está sendo construído a partir de diversos convênios, entre eles, com a Autoridade Portuária de Santos, através do Programa de Aceleração do Crescimento. Até o momento, foram entregues 1.644 moradias e há 599 em construção.
O recurso investido foi de R$ 40 milhões pela Autoridade Portuária e mais de R$ 17 milhões do Tesouro Municipal, totalizando quase R$ 60 milhões.
O BE News questionou a MRS sobre o detalhamento das obras, bem como suporte às famílias e recursos com relação ao embargo, mas não obteve retorno até a publicação desta Reportagem. O espaço segue aberto.