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IMO pode votar regras de descarbonização em dezembro
Regulamentação para reduzir emissões do transporte marítimo foi adiada no ano passado após resistência de países produtores de petróleo
A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) poderá retomar em dezembro a votação das regras globais para descarbonização do transporte marítimo. A regulamentação foi discutida no ano passado, mas a decisão acabou adiada após resistência de Estados Unidos e outros países produtores de petróleo à proposta de criação de um mecanismo econômico para estimular a redução das emissões do setor.
A próxima reunião geral da IMO está prevista para 4 de dezembro. As discussões envolvem a criação de regras internacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos navios e estabelecer mecanismos que estimulem a utilização de combustíveis de menor emissão.
Na reunião realizada em novembro do ano passado, a proposta em discussão previa um mecanismo econômico associado às emissões das embarcações. A medida enfrentou oposição de países produtores de petróleo, o que levou ao adiamento da votação.
Desde então, os debates sobre a regulamentação continuaram. O Brasil participa das discussões e defende a adoção de regras internacionais para a descarbonização do transporte marítimo.
A definição de um marco global é acompanhada pelo setor de combustíveis renováveis, que avalia novas oportunidades de demanda para produtos de menor emissão. No Brasil, o setor de etanol acompanha as discussões diante da possibilidade de ampliação do uso do biocombustível no transporte marítimo.
Estimativas de mercado indicam que a demanda do setor marítimo poderia chegar a 24 bilhões de litros de etanol por ano. A utilização de combustíveis alternativos ao bunker convencional está entre as alternativas consideradas para reduzir as emissões da navegação.
A definição das regras também é acompanhada pelos armadores e demais empresas da cadeia marítima, que precisam considerar investimentos de longo prazo em embarcações, motores e sistemas de propulsão compatíveis com as metas ambientais.
Além da IMO, diferentes países e regiões vêm adotando medidas próprias para reduzir as emissões do transporte marítimo, mas a existência de regras distintas pode aumentar a complexidade regulatória para empresas que operam internacionalmente. A expectativa é que a reunião defina um mecanismo global para a descarbonização, trazendo uma regra internacional que orientará os investimentos da indústria naval e dos armadores na transição.