Comércio exterior
KBT eleva em 51% exportações de papel e celulose em três anos
Operação entre Klabin, Brado e TCP conecta unidades industriais ao Porto de Paranaguá e movimentou 89,7 mil TEU em 12 meses
O projeto logístico intermodal KBT, parceria entre Klabin, Brado Logística e TCP, completou cinco anos de operação com crescimento de 51% nas exportações de papel e celulose na comparação entre 2022, primeiro ano-calendário completo do empreendimento, e 2025. No período, o volume passou de 347 mil para 523,3 mil toneladas.
Localizado ao lado da unidade ortigueira da Klabin, no Paraná, o terminal funciona como elo entre as unidades industriais da companhia e o Porto de Paranaguá, principal complexo portuário do estado.
Entre agosto de 2025 e julho deste ano, o KBT movimentou 89,7 mil TEU e recebeu 280 encostes de trens.
Criado em 2021, o terminal é operado pela TCP, responsável pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá, enquanto o transporte ferroviário é realizado pela Brado Logística.
A operação é favorecida pela ligação ferroviária direta com a área alfandegada da TCP em Paranaguá. Dessa forma, os contêineres transportados por trem chegam diretamente à estrutura portuária, reduzindo etapas intermediárias no fluxo entre as unidades industriais e o embarque marítimo.
Segundo o gerente comercial da TCP, Fabio Mattos, a evolução dos volumes ao longo dos cinco anos demonstra a eficiência da solução logística.
“Cinco anos depois, a evolução dos volumes demonstra a eficiência desse modelo. A ferrovia permite concentrar grandes volumes de carga em uma única composição, com maior previsibilidade no tempo de trânsito, segurança e competitividade de custos, além de reduzir etapas logísticas e gerar ganhos ambientais importantes para uma cadeia exportadora estratégica para o Paraná”, afirmou.
Para o gerente de Operações da Klabin, Cláudio Himmelreich, a integração entre a produção industrial e o terminal portuário também contribui para a competitividade da companhia no mercado externo.
“O KBT consolidou um modelo logístico integrado que conecta a produção da Klabin à operação portuária de forma mais eficiente, fortalecendo nossa competitividade no mercado internacional. Esse marco reforça como a inovação e a colaboração podem gerar valor para toda a cadeia”, declarou.
Integração
Um dos diferenciais do projeto é a presença da operação ferroviária dentro da unidade industrial da Klabin. O modelo permite que o transporte seja planejado de maneira integrada ao fluxo de produção, desde a saída da fábrica até a chegada ao terminal portuário.
De acordo com a Brado, o Paraná é o único Estado dentro da atuação da companhia onde existe esse tipo de configuração operacional.
“Não basta garantir a disponibilidade do trem, é preciso trabalhar com planejamento, sincronização e capacidade de resposta para que a ferrovia acompanhe uma cadeia produtiva que não pode parar. Essa proximidade também nos permite conhecer melhor o negócio do cliente e evoluir a solução junto com ele”, explicou Graciele Santos, executiva comercial da Brado Logística.
A utilização da ferrovia também busca reduzir a participação do transporte rodoviário no escoamento da produção. Segundo dados divulgados pelas empresas, o modal ferroviário emite 85% menos dióxido de carbono em comparação ao transporte rodoviário movido a diesel.
Em 2025, a operação ferroviária ligada à Klabin evitou, segundo a Brado, a emissão de 24,1 toneladas de CO₂, volume que a empresa afirma ser equivalente às emissões anuais de 5.220 automóveis.
Em Paranaguá, a operação também passou a utilizar três guindastes RTG (Rubber Tyred Gantry) eletrificados. A instalação de barramentos elétricos para os equipamentos reduziu em aproximadamente 771 toneladas por ano as emissões de carbono associadas à movimentação realizada pelos três guindastes, conforme os dados divulgados pelas companhias.
Capacidade ferroviária
Ao completar cinco anos, o corredor utilizado pelo KBT também passa por uma nova etapa de expansão. Investimentos realizados pela TCP e pela Brado aumentaram em aproximadamente 20% a capacidade operacional da infraestrutura ferroviária em Paranaguá.
A ampliação busca preparar a estrutura para absorver novos volumes e acompanhar o crescimento das operações ferroviárias ligadas ao terminal.
Segundo o gerente de Operações Logísticas da TCP, Washington Renan Bohnn, o ganho de capacidade permite aumentar os volumes movimentados com menos etapas dentro do terminal portuário.
“Para uma operação integrada como a do KBT, ganhar capacidade ferroviária significa movimentar volumes maiores com menos etapas dentro do Terminal. A nova estrutura aumenta nossa eficiência e prepara o corredor para continuar atendendo ao crescimento das operações ferroviárias nos próximos anos”, afirmou.
Com a ampliação, o KBT entra no sexto ano de operação com maior capacidade no corredor entre o interior e o litoral paranaense. A estrutura deverá sustentar o crescimento das exportações da Klabin e ampliar a utilização da ferrovia no transporte de papel e celulose até o Porto de Paranaguá.