Aeroportos
Leilão de Brasília amplia modelo de concessão de aeroportos regionais
Repactuação prevista para dezembro incluirá dez terminais de cinco estados na concessão do aeroporto da capital federal
A repactuação da concessão do Aeroporto Internacional de Brasília, prevista para ser levada a leilão em dezembro, amplia o modelo que integra aeroportos regionais às redes administradas por grandes concessionárias. O novo contrato deverá incorporar dez terminais de cinco estados à concessão da capital federal, criando uma estrutura de gestão que reúne aeroportos de diferentes portes.
Os terminais que deverão ser incluídos estão distribuídos por Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia. Em Goiás, estão Alto Paraíso de Goiás e São Miguel do Araguaia. Mato Grosso terá Juína, Cáceres e Tangará da Serra; Mato Grosso do Sul, Bonito, Dourados e Três Lagoas; Paraná, Ponta Grossa; e Bahia, Barreiras.
A operação dá continuidade a uma estratégia adotada em novembro de 2025, quando 13 aeroportos regionais foram incorporados a concessões já existentes. Na ocasião, o Aeroporto Regional de Jericoacoara (CE) passou para a gestão da Fraport Brasil, que também administra os aeroportos de Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS).
Os outros 12 terminais foram incorporados à concessão da GRU Airport, responsável pelo Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. A rede passou a incluir aeroportos de Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Ceará, Rondônia e Tocantins.
A lógica do modelo é reunir terminais de diferentes portes sob uma mesma estrutura de gestão, permitindo que aeroportos regionais tenham acesso a procedimentos, tecnologias, fornecedores e experiências operacionais desenvolvidas por concessionárias que também administram grandes aeroportos.
A integração pode abranger áreas como segurança, atendimento aos passageiros, gestão de serviços e relacionamento comercial com empresas que atuam nos terminais. A estrutura também permite ampliar a atuação de restaurantes, lojas, locadoras de veículos e outros prestadores de serviços para diferentes aeroportos de uma mesma rede.
Conexão com grandes aeroportos
A incorporação dos terminais regionais também pode aproximá-los de grandes centros de conexão administrados pelas mesmas concessionárias.
Um exemplo é Jericoacoara. A Fraport Brasil assumiu a operação do aeroporto em 1º de setembro de 2026 e, posteriormente, foi anunciada uma nova ligação com Brasília, com previsão de cinco voos semanais a partir de julho de 2027.
Em Pernambuco, os aeroportos de Serra Talhada, Garanhuns e Araripina passaram a integrar a concessão da GRU Airport. Na Bahia, Paulo Afonso e Lençóis também foram incorporados à rede.
Investimentos
A integração às grandes concessões também envolve intervenções na infraestrutura dos aeroportos regionais. Entre as melhorias previstas estão obras em pistas, pátios e terminais de passageiros, além da implantação ou adequação de balizamento noturno e atendimento às normas da aviação civil.
Com a formação das redes, os aeroportos regionais passam a integrar uma estrutura de gestão e operação compartilhada, sem que os terminais precisem ter a mesma escala ou perfil de movimentação.
A repactuação de Brasília representa uma nova etapa desse modelo, ao ampliar a quantidade de aeroportos regionais vinculados a uma concessão que também terá sob sua administração um dos principais aeroportos do País.