Transportes
Log-In realiza transbordo de 175 contêineres para enfrentar estiagem no Amazonas
Operação no píer flutuante do Grupo Chibatão, em Itacoatiara, reduz o calado dos navios e permite manter o transporte de cargas até Manaus
A Log-In Logística Integrada realizou sua primeira operação de alívio de carga de 2026 no píer flutuante provisório do Grupo Chibatão, instalado em Itacoatiara (AM). Ao todo, 175 contêineres foram transferidos do navio Log-In Endurance para balsas, em uma operação destinada a reduzir o calado da embarcação e permitir a continuidade da viagem até Manaus diante das restrições sazonais de navegação provocadas pela estiagem dos rios amazônicos.
O navio chegou a Itacoatiara transportando 2.212 TEU, unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés. Com a retirada de parte da carga, a embarcação passa a exigir menor profundidade para navegar, adequando-se às condições dos rios durante o período de vazante. Os contêineres transferidos seguem para a capital amazonense em balsas.
A operação faz parte da estratégia desenvolvida pela Log-In em parceria com o Grupo Chibatão para preservar o fluxo de mercadorias destinadas ao Amazonas. O transporte aquaviário é fundamental para o abastecimento do Polo Industrial de Manaus e do comércio regional, especialmente no recebimento de insumos industriais, componentes eletrônicos e produtos de consumo.
A diminuição do nível dos rios durante a estiagem reduz a profundidade disponível para a navegação e pode impor restrições ao carregamento dos navios. Nessas condições, o transbordo de parte das mercadorias permite que as embarcações prossigam viagem com menor calado, evitando a necessidade de descarregar toda a carga antes da chegada ao destino.
A solução foi adotada pela primeira vez em 2024, durante um dos períodos mais críticos de seca registrados na região. Naquele ano, as condições de navegação exigiram que os navios descarregassem toda a carga em Itacoatiara, de onde os contêineres eram transportados até Manaus por balsas.
Em 2026, o cenário é diferente. Como os níveis dos rios estão mais elevados do que os observados no mesmo período de 2024, o terminal passou a realizar operações de alívio parcial. Dessa forma, as embarcações podem chegar a Itacoatiara com maior volume de mercadorias, descarregar apenas a quantidade necessária para reduzir o calado e seguir até Manaus.
O procedimento diminui a quantidade de contêineres submetidos a uma segunda movimentação, embora continue exigindo uma estrutura logística complementar para o transporte das cargas transferidas às balsas.
Monitoramento
Apesar das restrições operacionais enfrentadas pela navegação, a estiagem de 2026 apresenta condições diferentes das registradas em 2024. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), os níveis dos principais rios da Bacia Amazônica permanecem dentro dos padrões considerados normais para esta época do ano.
Em boletim divulgado em 21 de outubro, o órgão informou que o rio Negro continuava em processo regular de vazante, enquanto o rio Amazonas apresentava redução de nível em trechos como Itacoatiara, Parintins, Óbidos e Careiro. O levantamento também identificou volumes de chuva abaixo da média em diversas bacias hidrográficas, situação que exige o acompanhamento contínuo das condições de navegabilidade.
A redução sazonal da profundidade dos rios interfere diretamente no planejamento das operações de transporte. Para os armadores, a necessidade de limitar o volume embarcado ou realizar transbordos pode representar custos adicionais e aumento do tempo de movimentação das mercadorias, especialmente nas rotas destinadas ao Polo Industrial de Manaus.
A Marinha do Brasil também estabeleceu medidas adicionais de segurança da navegação para o período de estiagem de 2026. A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental publicou normas específicas para as operações e homologou o píer flutuante do Grupo Chibatão.
Estrutura e operação
O píer provisório chegou a Itacoatiara em 18 de setembro, após iniciar o deslocamento de Manaus no dia anterior. A estrutura tem 277,5 metros de extensão e dispõe de três guindastes para movimentação de cargas, além de um equipamento de apoio.
O funcionamento foi planejado para ocorrer 24 horas por dia, com a participação de aproximadamente 150 profissionais. A operação exige a coordenação entre navios porta-contêineres, balsas, guindastes e equipes de apoio para garantir a transferência das mercadorias e a continuidade das viagens.
A Log-In participa da iniciativa desde sua implantação, em 2024. Segundo o diretor-executivo de Navegação da companhia, Felipe Gurgel, a operação realizada em outubro é resultado de um planejamento desenvolvido ao longo do ano em conjunto com o Grupo Chibatão.
“Essa operação é um marco desse ano na operação da Log-In. Foi um trabalho feito ao longo de muito tempo, ao longo desse período, desse ano, em conjunto com o Grupo Chibatão. E hoje a gente está concluindo essa etapa”, afirmou o executivo.