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Mineração

Lucro da Vale cai 43% no segundo trimestre pressionado por custos e câmbio

Atualizado em: 6 de agosto de 2026 às 10:00
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Agência Brasil

Mineradora lucrou R$ 6,84 bilhões entre abril e junho, elevou a projeção de custos do minério de ferro para 2026 e anunciou R$ 8,64 bilhões em dividendos e JCP

A Vale registrou lucro líquido de R$ 6,84 bilhões no segundo trimestre, queda de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a companhia na quinta-feira (30). O resultado foi impactado principalmente pelo aumento dos custos operacionais e pela valorização do real frente ao dólar, fator que reduz o lucro em reais de uma empresa com receitas majoritariamente em moeda norte-americana. Informações segundo o Valor Econômico.

Apesar da retração no lucro, a mineradora anunciou a distribuição de R$ 8,64 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, com pagamento previsto para setembro. A empresa também aprovou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, equivalente a 2,3% dos papéis em circulação, a ser executado em até 18 meses.

A receita líquida da Vale somou R$ 53 bilhões entre abril e junho, alta de 6% na comparação anual. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 18,5 bilhões, recuo de 3% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Os custos da operação de minério de ferro foram pressionados pela valorização do real e pelo aumento dos preços dos combustíveis marítimos. O custo caixa C1, que considera as despesas da mina ao porto, subiu 9% em um ano, para US$ 24,1 por tonelada.

Já o custo “all-in”, que inclui frete, despesas, royalties e prêmios, avançou 18%, atingindo US$ 61,6 por tonelada. Segundo a companhia, o aumento foi impulsionado também pelos custos de transporte, influenciados pela alta dos combustíveis em meio às tensões no Oriente Médio.

Diante do cenário, a Vale revisou para cima as estimativas de custos do minério de ferro em 2026. A projeção para o custo caixa C1 passou da faixa de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada para entre US$ 22,5 e US$ 23,5 por tonelada.

A estimativa para o custo “all-in” do minério de ferro também foi elevada, de US$ 52 a US$ 56 para entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada.

Por outro lado, a companhia reduziu a previsão do custo “all-in” do cobre para até US$ 500 por tonelada, ante a faixa anterior de US$ 1 mil a US$ 1,5 mil. Para o níquel, a nova estimativa ficou entre US$ 10 mil e US$ 11,5 mil por tonelada, abaixo da projeção anterior, de US$ 12 mil a US$ 13,5 mil.

A Vale também revisou para cima as expectativas de produção. A previsão para o cobre passou de 350 mil–380 mil toneladas para 360 mil–380 mil toneladas em 2026. No níquel, a estimativa foi elevada de 175 mil–200 mil para 185 mil–200 mil toneladas.

Desempenho operacional

Apesar da queda no lucro, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a empresa manteve desempenho operacional consistente.

“Entregamos resultados sólidos na comparação anual, com o minério de ferro atingindo a maior produção para um segundo trimestre desde 2018, enquanto o cobre teve o melhor segundo trimestre em nove anos.”

O executivo acrescentou que:

“Nossa forte geração de Ebitda e fluxo de caixa demonstra a força e a resiliência da Vale em um ambiente global dinâmico, sustentadas pela alta qualidade dos nossos ativos e por nosso compromisso contínuo com excelência operacional e eficiência.”

A dívida líquida expandida da companhia, que inclui os compromissos relacionados às reparações dos rompimentos das barragens de Brumadinho e Mariana, encerrou o trimestre em US$ 16,6 bilhões.

Segundo a empresa, a execução das ações de reparação em Brumadinho atingiu 83%. No caso de Mariana, os desembolsos acumulados chegaram a R$ 82,4 bilhões até 30 de junho.

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TAGS mineração resultado financeiro Vale
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