Navegação
Maersk prevê restrições à navegação em Manaus com avanço da seca
Companhia projeta redução da capacidade dos navios entre outubro e novembro e admite uso de píeres flutuantes para manter as operações
A Maersk prevê aumento das restrições à navegação na região de Manaus a partir de outubro, com possibilidade de impactos mais fortes entre as semanas 42 e 47 do ano, período que vai de meados de outubro ao fim de novembro. A avaliação considera a redução do nível dos rios durante a estação seca e dados da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e de análises próprias da companhia.
A principal consequência esperada é a limitação do calado dos navios, ou seja, da profundidade que a embarcação pode atingir abaixo da linha d’água. Com os rios mais baixos, os navios precisam navegar com menor peso para evitar riscos de encalhe, o que reduz a quantidade de contêineres transportados em cada viagem.
Segundo a Maersk, o agravamento das condições de navegabilidade também poderá exigir o uso de píeres flutuantes e operações adicionais para manter o transporte de cargas de e para Manaus. Entre as medidas previstas estão o desembarque parcial de contêineres em Itacoatiara, transbordos para outras embarcações, movimentações extras de carga, armazenagem temporária e reposicionamento de equipamentos.
Em julho, a empresa já indicava a possibilidade de restrições de capacidade entre outubro e o início de 2027. Na projeção inicial, havia inclusive risco de interrupção da navegação entre novembro e dezembro. A avaliação foi atualizada em agosto, quando a Maersk passou a apontar as semanas 42 a 47 como o período de maior probabilidade de impactos operacionais mais severos.
Na prática, o uso de um píer flutuante funciona como uma alternativa ao atendimento direto por navios com maior calado quando a profundidade disponível deixa de ser suficiente. Parte da carga pode ser transferida em outro ponto e seguir em embarcações adaptadas às condições do rio, acrescentando etapas à operação e reduzindo a capacidade disponível em relação ao período de cheia.
A companhia também alerta que, além da restrição de calado, pode haver nova redução da capacidade dos navios e necessidade de recursos adicionais em terra e na água para garantir a continuidade dos serviços.
O transporte aquaviário é uma etapa central da logística de Manaus. A capital amazonense concentra um importante polo industrial e depende dos rios para a entrada de insumos e a saída de produtos destinados a outros mercados do Brasil e ao exterior. Por isso, a redução do nível das águas pode afetar capacidade, prazos e custos das operações.
A Maersk informou que continuará acompanhando as condições dos rios e que as medidas operacionais serão adotadas de acordo com a situação efetivamente registrada. As restrições variam conforme o nível da água e podem ser revistas à medida que o regime hidrológico se altera.
A previsão inicial da companhia apontava restrições de capacidade em outubro e chegou a considerar a possibilidade de interrupção da navegação em novembro. A atualização posterior concentrou o maior risco operacional entre as semanas 42 e 47.