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Jornal BE News - Edição de Hoje

Comércio exterior

Mais de 4 mil produtos podem ser afetados por nova tarifa dos EUA

Atualizado em: 7 de julho de 2026 às 9:56
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

De acordo com a CNI, se o governo americano levar adiante a ameaça, a taxação desses produtos chegará a 37,5%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetou nesta segunda-feira (6) que, caso o governo dos Estados Unidos adote as novas propostas de taxação contra o Brasil – de 25% e 12,5% – cerca de 4.187 produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. 

Segundo a CNI, todos esses produtos estão hoje submetidos à tarifa adicional temporária de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial norte-americana, vigente até dia 24 de julho.

Nesta semana acontecem as audiências públicas para tratar de possíveis duas novas tarifas que produtos brasileiros podem sofrer: uma investigação especificamente sobre o Brasil que sugere sobretaxa de 25% e outra investigação sobre trabalho forçado onde o Brasil também está incluído e pode sofrer uma taxa de 12,5%.

Se as duas novas propostas forem adotadas, haverá um acréscimo de 27,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% são bens intermediários, utilizados como insumos em processos produtivos. Neste caso, a taxação contra o Brasil chegaria em 37,5%.

Entre os principais produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos que podem ser afetados pela tarifa acumulada de 37,5%, o Brasil atua como o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 11.

Para a o presidente da CNI, Ricardo Alban, novas tarifas contra o Brasil também vão elevar custos para empresas, consumidores e cadeias produtivas dos Estados Unidos. “O aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países. Estamos falando de cadeias produtivas altamente integradas, nas quais muitos produtos brasileiros são essenciais para a indústria norte-americana”, explica.

Audiência pública

O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública deste dia 7 de julho, em Washington (EUA), sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Dos 80 inscritos para falar na audiência, 66 devem se posicionar contra a medida.

“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, reforça Alban.

Desistência

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos, desistiu de falar na audiência pública. Ele afirmou que o “foco da semana” deve ser a participação de Flávio na audiência e que decidiu enviar seus comentários por escrito ao USTR.

Figueiredo estava inscrito para discursar nesta segunda-feira, 6, no primeiro dia da audiência. Em documento enviado previamente ao USTR, ele defendeu que a ameaça do tarifaço favorece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa das eleições de 2026. Os argumentos e pedidos feitos pelo influenciador, aliás, são semelhantes aos que Flávio protocolou no mesmo órgão americano.

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TAGS CNI EUA Tarifa
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