Ferrovias
Malha Oeste pode ter leilão de R$ 35 bilhões até junho de 2027
Rumo, MRS, FCA e grupo J&F demonstraram interesse na concessão de 1,6 mil quilômetros de ferrovia
A concessão da Malha Oeste, com 1,6 mil quilômetros de extensão, poderá ser leiloada até o fim do primeiro semestre de 2027. O projeto, estimado em R$ 35 bilhões, já despertou o interesse da Rumo, MRS Logística, Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e do grupo J&F, dos empresários Joesley e Wesley Batista.
A informação foi confirmada por Marcelo Cardoso Fonseca, diretor substituto da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e superintendente de Concessão da Infraestrutura da agência. Segundo ele, o edital deve ser publicado até dezembro deste ano.
Depois da publicação do edital, a expectativa da ANTT é concluir o leilão e assinar o novo contrato até junho de 2027.
Fonseca falou sobre o projeto durante a Jornada Valor de Jornalismo em Concessões e Infraestrutura, realizada nesta terça-feira (22), em São Paulo.
A ANTT chegou a prever o leilão para 2026, mas o cronograma foi adiado. Ainda é necessário definir quais trechos terão prioridade na reativação e quais investimentos serão necessários para recuperar a ferrovia.
Ferrovia está sem transporte de cargas
A antiga concessão da Malha Oeste terminou no fim de junho. Desde então, a Rumo, que era responsável pela ferrovia, mantém um contrato emergencial de 180 dias para preservar e garantir a segurança da infraestrutura. O acordo termina no fim deste ano.
O transporte de cargas, porém, está parado desde dezembro de 2025. A última viagem ocorreu em um trecho de cerca de 45 quilômetros entre as minas de Corumbá (MS) e Porto Esperança (MS), para o transporte de minério.
A nova concessão terá como objetivo recuperar e reativar a ferrovia, permitindo o retorno do transporte de cargas em diferentes trechos.
Quatro grupos demonstram interesse
Inicialmente, a ANTT havia identificado interesse da Rumo e da MRS na nova concessão. Agora, segundo Fonseca, a FCA também está entre as empresas interessadas – ela opera uma extensa malha ferroviária em oito estados e está entre as principais empresas do setor no país.
Além das três operadoras ferroviárias, o grupo J&F também demonstrou interesse no projeto. A companhia tem uma demanda específica para minério relacionada ao trecho entre Corumbá e Porto Esperança.
Outro possível fluxo de cargas está relacionado à celulose produzida pela Eldorado Brasil, controlada pela J&F e instalada em Três Lagoas (MS).
A fábrica produz atualmente cerca de 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano e tem planos de ampliar a produção. Caso o volume seja dobrado, a demanda por transporte ferroviário entre Três Lagoas e o Porto de Santos também poderá crescer.
A Malha Oeste liga a região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, ao interior de São Paulo e chega à região de Mairinque. A ferrovia foi construída no início do século passado e atualmente tem grande parte de sua extensão sem operação regular de cargas.