Região Sul
Marinha mantém restrição ao calado do canal de Itajaí e Navegantes
Levantamento técnico mostrou a presença de lama fluída no canal aquaviário; Porto diz que operações continuam normalmente
A Marinha do Brasil, por meio da Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí (DelItajaí), anunciou nesta semana que manteve a restrição de calado no canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina. Já a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) garante a segurança da navegação no canal aquaviário e diz que as operações continuam mesmo assim.
A restrição, que prevê uma Folga Abaixo da Quilha (FAQ) de 0,30 metros, foi determinada pela Autoridade Marítima como forma de prevenção e segurança, devido à presença de lama fluida no canal aquaviário.
Na última semana, após atraso, a SPI e a Companhia Docas da Bahia (Codeba) apresentaram à Marinha os estudos de batimetria para confirmar o calado sem restrições no canal. Entretanto, a Autoridade Marítima manteve a restrição e informou que os levantamentos confirmaram o assoreamento no canal interno, o que limita diretamente o calado máximo.
“Os dados obtidos evidenciam o assoreamento no canal, o qual vem se configurando como fator limitante do calado máximo no complexo portuário, ao indicar redução em magnitude equivalente (0,30 m), resultando, na prática, na manutenção da mesma restrição operacional anteriormente imposta”, disse em ofício.
A DelItajaí confirmou as novas profundidades no Rio Itajaí-Açu que tem validade até 13 de julho. São elas: 13,1 metros no canal interno; 14,1 metros no canal externo; 13,5 metros no berço 1 de Itajaí; 13,1 metros no berço 2 de Itajaí; 12,7 metros no berço 3 de Itajaí; 12,7 metros no berço 4 de Itajaí; e 12,7 metros na Portonave.
O que diz o Porto de Itajaí
A Superintendência do Porto de Itajaí informou que recebeu da empresa Van Oord, responsável pelos serviços de dragagem de manutenção do canal de acesso, esclarecimentos técnicos sobre a presença de lama fluida na área portuária e sobre as condições de navegabilidade do canal.
“Mantidas as condições operacionais atuais, a estimativa técnica informada pela empresa é de que, em aproximadamente 10 dias adicionais de operação, a área retorne aos níveis de referência contratualmente estabelecidos”, afirmou a SPI, em nota.
Segundo a empresa, a lama fluida é uma mistura fina de água, argila e silte, ainda não compactada. Por não se tratar de fundo sólido, apresenta comportamento intermediário entre líquido e sólido e, quando monitorada dentro dos parâmetros técnicos estabelecidos, permite a navegação segura das embarcações.
A formação desse material é comum em áreas portuárias e estuarinas, especialmente em regiões com entrada constante de sedimentos finos pelos rios, encontro de água doce com água salgada, correntes fracas e movimentação operacional intensa. No Porto de Itajaí, segundo os dados técnicos apresentados pela Van Oord, a lama fluida tem sido observada com espessuras que variam entre 0,10 metros e 3 metros, dependendo do ponto analisado.
Situação preocupa empresas
A restrição de 0,30 metros no canal aquaviário preocupa empresas e terminais portuários da região, uma vez que o impacto pode ser sentido na redução de capacidade de cargas navios que passam pela região. Segundo as empresas, a restrição no atual calado pode causar uma redução de 220 TEUs por navio.
Além disso, outro motivo de grande preocupação é a perda da competitividade dos terminais e a concorrência de outros terminais e portos de Santa Catarina, onde o acesso aquaviário não apresenta restrições em níveis de calado operacional.