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Nacional

Ministério defende ampliação da malha ferroviária e novos leilões

11 de setembro de 2025 às 10:00
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Ministro dos Transportes em exercício aponta concessões rodoviárias como modelo para expandir rede de ferrovias e atrair investimentos

O seminário Logística Verde, realizado na quarta-feira (10), em Brasília (DF), reuniu autoridades e especialistas para discutir soluções voltadas à transição energética e à reindustrialização do país. Um dos temas centrais foi o papel das ferrovias na logística nacional. O ministro dos Transportes em exercício, George Santoro, defendeu o aumento dos investimentos no setor ferroviário e citou a Transnordestina como exemplo de empreendimento em andamento.

“A Transnordestina é um dos principais exemplos do que queremos para o futuro da logística nacional: grandes projetos sustentáveis com impacto direto no desenvolvimento regional e na redução das emissões”, afirmou.

A ferrovia tem 66% das obras concluídas e investimento estimado em R$ 15 bilhões. O traçado passa pelos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí e terá capacidade para transportar até 30 milhões de toneladas de grãos, combustíveis e fertilizantes por ano. A previsão do governo federal é concluir a primeira fase em dezembro de 2027.

Segundo Santoro, ampliar a participação das ferrovias na matriz de transportes é uma das prioridades da pasta. “O modal ferroviário ainda representa uma parcela pequena da matriz de transportes, mas tem enorme potencial de crescimento, principalmente se diversificarmos as cargas transportadas, hoje concentradas em minério, grãos e combustíveis”, disse.

O Ministério dos Transportes avalia que o avanço das concessões rodoviárias serve de modelo para as ferrovias. “Chegamos a 16 leilões em dois anos e meio, com a perspectiva de fechar o ano com mais 14 ou 15. Precisamos estender essa solução adotada nas rodovias para o setor ferroviário, viabilizando novos projetos e fortalecendo a logística nacional”, afirmou o ministro.

A pasta também defende a inclusão do setor de transportes na agenda de financiamento verde para atrair recursos privados. “O modal ferroviário é apontado como o que mais pode alavancar recursos por meio da taxonomia verde. Incluir o setor nas regras obrigatórias é fundamental para aproveitar esse potencial. Os primeiros projetos de trem intercidades já deverão operar com biocombustíveis”, disse Santoro.

Representantes do setor financeiro e da indústria participaram do encontro. O chefe do Departamento de Transporte e Logística do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apontou a necessidade de racionalizar a matriz de transportes para reduzir custos e emissões. “Apesar da produção intensa, os modais de alta capacidade ainda têm participação baixa. Isso eleva os custos, pressiona o ‘custo Brasil’ e agrava as emissões”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Venilton Tadini, disse que o avanço da infraestrutura é essencial para a competitividade da economia e para a transição energética. “O setor de transportes responde por cerca de 11% das emissões de CO₂, sendo o rodoviário responsável por aproximadamente 90%. A malha rodoviária melhorou com a participação privada, mas ainda há muito a ser feito, especialmente no modal ferroviário”, destacou.

Investimentos

Um estudo da Coalizão dos Transportes, que reúne mais de 50 entidades, estima que o país pode reduzir em até 70% as emissões do setor até 2050, caso haja investimentos contínuos em infraestrutura e estímulo à diversificação de modais. O Ministério dos Transportes afirma que atua na retomada de obras estruturantes, na modernização das concessões existentes e na preparação de novos leilões para expandir a rede ferroviária.

Entre os principais projetos em execução estão a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), com 25,4% das obras concluídas no trecho entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT). Até julho de 2026, está prevista a entrega de 130 quilômetros entre Mara Rosa e Crixás, quando deve ocorrer o leilão da ferrovia. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol II), entre Caetité e Barreiras (BA), tem 70,5% de execução e deve alcançar 75% até o fim de 2025.

O governo também conduz seis estudos de viabilidade para utilização de trechos de carga no transporte de passageiros, incluindo Brasília–Luziânia, Salvador–Feira de Santana, Londrina–Maringá e ligações metropolitanas em São Luís, Fortaleza e Pelotas. Algumas dessas iniciativas devem avançar para audiência pública ainda no segundo semestre.

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TAGS ampliação leilões malha ferroviária
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