Brasil Export
Mulheres ainda buscam mais poder de decisão no setor
Debatedoras do Brasil Export destacam evolução da participação feminina e defendem maior presença em posições de liderança e governança
A participação feminina avançou no setor de infraestrutura, mas ainda há desafios para transformar representatividade em influência efetiva nas decisões. O diagnóstico foi apresentado nesta quarta-feira (7), durante o painel “O impacto da liderança feminina na governança e no desenvolvimento nacional”, do Conselho Feminino do Brasil Export, no Fórum Nacional Brasil Export 2026, em Brasília.
Para Sandra Silva, gerente jurídica da Cargill no Brasil, a diversidade passou a fazer parte da agenda de governança das empresas, mas a presença feminina precisa ser acompanhada de poder de decisão. Programas de desenvolvimento, mentoria, metas e contratações intencionais contribuíram para ampliar a representatividade, segundo ela. “Mas, uma vez que você conquista a representatividade, precisa também ter a caneta”, afirmou.
Sandra avaliou que as mulheres hoje participam mais de grandes projetos de infraestrutura e discussões regulatórias, mas ainda não chegaram a uma situação de igualdade. “Hoje nós somos ouvidas sim, somos uma grande parcela que participa das decisões e opina, mas eu acho que ainda não chegamos lá”, disse.
Primeira presidente do Conselho Feminino do Brasil Export, Mayhara Chaves destacou que, na iniciativa privada, parte das barreiras ainda é cultural e pode levar mulheres a questionarem a própria capacidade para assumir posições de maior responsabilidade. “A mulher, às vezes, por vários motivos, se disponibiliza menos a estar cargos maiores”.
Diretora regulatória e institucional da Hidrovias do Brasil, Mariana Pescatori avaliou que o setor portuário evoluiu nos últimos anos e relacionou parte desse avanço à disposição das mulheres de ocuparem espaços de fala. “A gente efetivamente se colocou nesses espaços de fala, afirmou. Para Mariana, essa participação também ajudou a impulsionar mudanças nas políticas de governança das empresas e no setor público.
Já a sócia da Sammarco Advogados, Flávia Sammarco, destacou que, apesar da existência de leis voltadas à equidade, a igualdade ainda está distante, e que igualar o número de mulheres ao número de homens em cargos de liderança pode demorar mais de 100 anos, de acordo com pesquisas. “Conseguimos quebrar esse paradigma que mulheres competem entre si, algo que foi incentivado por anos. Estamos conseguindo quebrar essa cultura e alguns homens têm sido nossos aliados nessa mudança. Mas acho que nem eu nem minhas filhas veremos essas mudanças em relação aos cargos, talvez nossas netas”, ponderou.