Centro-Oeste Export
Multimodalidade é essencial para acompanhar avanço do agro, afirma Edson Souki
CEO da Granel Química defende integração entre diferentes modais de transporte, planejamento de longo prazo e investimentos estruturantes para reduzir gargalos logísticos no país
A expansão da multimodalidade será determinante para que a infraestrutura logística brasileira acompanhe o crescimento acelerado do agronegócio. A avaliação é de Edson Souki, CEO da Granel Química/Odfjell Terminals, que defendeu a integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias como forma de aumentar a competitividade do transporte de cargas e reduzir os gargalos que limitam o escoamento da produção do Centro-Oeste.
O executivo participou de um dos painéis técnicos do Centro-Oeste Export, fórum regional promovido pelo Grupo Brasil Export, realizado nesta quinta-feira (23) no município de Rio Verde (GO).
Atualmente, a Granel Química atua com oito terminais distribuídos pelo país, conectando os corredores Norte e Sul por meio de estruturas multimodais capazes de oferecer maior flexibilidade aos embarcadores.
“Uma das principais funções dos terminais, além da armazenagem, é permitir a mudança de modal conforme a necessidade dos clientes. Temos terminais com dois e três modais e, quanto maior essa integração, maior é a flexibilidade da operação”, afirmou.
Para Souki, os gargalos logísticos são consequência da velocidade com que o agronegócio cresce em comparação ao tempo necessário para implantar grandes obras de infraestrutura.
“O agronegócio cresce muito mais rápido do que os ciclos necessários para desenvolver ferrovias, hidrovias, rodovias e estruturas de armazenagem. Essa diferença acaba gerando gargalos, e nosso trabalho, como iniciativa privada, é justamente colaborar para eliminá-los e viabilizar novos projetos”, destacou.
O CEO da Granel citou como exemplo o transporte de biocombustíveis produzido no Centro-Oeste, que ainda depende majoritariamente do modal rodoviário. “Hoje existe falta de veículos, congestionamentos e limitações para escoar essa produção. Nosso terminal está no centro dessa demanda e conseguimos movimentar de sete a oito mil toneladas por comboio para o Norte e para o Sul, percorrendo cerca de dois mil quilômetros de forma bastante competitiva”, disse.
Na avaliação do executivo, a solução passa por antecipar os investimentos em infraestrutura, especialmente em projetos ferroviários, hidroviários e portuários, que possuem longos ciclos de implantação.
“Precisamos trabalhar com uma visão de cinco, dez ou até vinte anos. O Brasil tem dimensão para vários corredores logísticos e não existe um modal melhor do que outro. Cada região, cada distância e cada produto têm sua vocação. Quanto maior a integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias, mais eficiente será a logística brasileira”, concluiu.