Energia
Nordeste terá R$ 340 milhões para modernizar redes elétricas
Recursos de fundo climático internacional vão financiar melhorias na transmissão e distribuição de energia, com foco na redução de gargalos e cortes de geração
O Banco do Nordeste (BNB) vai destinar cerca de R$ 340 milhões à modernização das redes de transmissão e distribuição de energia elétrica na região. Os recursos, provenientes de um fundo climático internacional, serão aplicados em projetos para ampliar a capacidade operacional da infraestrutura existente, melhorar o monitoramento do sistema e reduzir gargalos no escoamento de energia renovável.
A previsão é atender cerca de sete projetos na primeira fase do programa, com liberação dos recursos a partir do início de 2027. O banco ainda recebe propostas das empresas interessadas e fará a análise dos empreendimentos.
Os recursos são do Fundo de Investimento Climático (CIF, na sigla em inglês), com participação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e serão aplicados por meio do Programa de Integração de Energias Renováveis do Nordeste (CIF-REI/NE). Esta é a primeira operação do BNB com um fundo climático internacional.
A prioridade do programa é financiar a atualização de ativos já instalados, incluindo a aquisição de equipamentos, a automação e a digitalização das redes e a ampliação da capacidade de linhas de transmissão. A iniciativa visa melhorar o desempenho do sistema elétrico diante do crescimento da geração de energia renovável na região.
Segundo o banco, há linhas sobrecarregadas que podem receber melhorias para ampliar sua capacidade de operação. O programa também poderá financiar equipamentos de medição e modelos computacionais para auxiliar na avaliação e no monitoramento da rede.
A expectativa é que os investimentos aumentem a flexibilidade e a resiliência do sistema elétrico nordestino. No longo prazo, as melhorias também devem contribuir para reduzir os cortes de geração, quando usinas são impedidas de entregar toda a energia que poderiam produzir por limitações da rede ou por restrições operacionais.
Embora o foco esteja na modernização da infraestrutura existente, o programa também poderá contemplar, em menor escala, projetos ligados à transição energética, como sistemas de armazenamento em baterias e usinas de hidrogênio verde.
Nova etapa de financiamento
O BNB também trabalha para viabilizar uma segunda etapa de investimentos, prevista para 2027, com recursos do CIF em negociação junto ao Banco Mundial. A instituição pleiteia US$ 530 milhões para financiar projetos estruturantes de baixo carbono, voltados à transição energética e à descarbonização da economia.
A iniciativa deverá apoiar operações de adaptação dos sistemas e de mitigação de riscos, com foco na redução das emissões de poluentes.
O CIF reúne mais de US$ 14 bilhões e já apoiou iniciativas no Brasil, incluindo programas de reflorestamento na Amazônia e de gestão fundiária no Cerrado. Segundo as informações divulgadas pelo banco, 17 projetos já foram aprovados no País.