Brasil Export
Transpetro prepara navios para operar com etanol
Companhia já testou misturas com até 30% de biocombustível e prevê embarcações equipadas para utilizar combustível tradicional e etanol
A Transpetro prepara uma nova geração de navios com capacidade para operar com etanol, como parte do programa de renovação e ampliação de sua frota. A estratégia foi apresentada nesta quarta-feira (7), em Brasília, durante uma apresentação especial do Encontro Nacional de Autoridades Portuárias e Hidroviárias (ENAPH), realizado na programação do Fórum Nacional Brasil Export 2026.
A companhia já realizou testes com misturas com até 30% de biocombustível e prevê que as novas embarcações possam utilizar tanto o combustível tradicional quanto o etanol.
Segundo o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares, a medida faz parte da preparação da frota para um cenário de transição energética e de maior diversificação dos combustíveis utilizados no transporte marítimo. “Nós apostamos no etanol, no biocombustível. Não é de achismo. Nós já testamos os nossos navios primeiro com 10% de biocombustível, depois com 20% e agora com 30%”, afirmou.
De acordo com o executivo, os testes foram realizados sem a necessidade de alterações nos tanques ou na rede das embarcações. A experiência servirá de base para os novos navios, que terão capacidade para operar com dois combustíveis. “Os nossos navios novos vão ter a capacidade de operar com dois combustíveis. Um é o combustível tradicional e o outro é o etanol, que o Brasil produz muito e que é capaz de exportar”, disse.
A aposta no etanol ocorre juntamente com a renovação da frota da Transpetro. Dentro do programa Mar Aberto, a companhia já contratou quatro navios de 15 mil toneladas para a cabotagem brasileira, que serão construídos no estaleiro Ecovix. Também foram contratados oito navios para transporte de GLP, sendo cinco construídos no Brasil e três na China.
A empresa ainda fechou contrato para um terceiro lote de navios MR, com capacidade de 38 mil toneladas, destinados ao transporte de derivados. Em Manaus, a Transpetro contratou barcaças e empurradores para ampliar a atuação na navegação interior.
Os novos navios também terão recursos tecnológicos, como sensores, inteligência artificial e gêmeos digitais. Outra solução prevista é o uso de energia de terra, que permite conectar a embarcação à rede elétrica do porto e desligar seus geradores durante a permanência no terminal, reduzindo as emissões.
Para o executivo, a modernização da frota precisa estar acompanhada pela infraestrutura portuária. A utilização da energia de terra, por exemplo, depende da instalação de estruturas nos terminais para fornecer eletricidade às embarcações.
A renovação da frota também é apresentada pela Transpetro como uma forma de reduzir a exposição da Petrobras às oscilações do mercado internacional de fretes. Soares citou como exemplo os navios do tipo VLCC. Segundo ele, o frete, que estava em torno de US$ 60 mil por dia antes da atual guerra no Golfo, chegou a cerca de US$ 400 mil. “Se a gente não tivesse a nossa frota, quanto nós estaríamos pagando?”, questionou o diretor, ao defender a manutenção de capacidade própria de transporte.
Na avaliação de Soares, a importância dos navios e portos ultrapassa a atividade comercial e envolve a segurança do abastecimento nacional. “Navios e portos já não são mais só navios e portos do ponto de vista do negócio. São ativos estratégicos”, afirmou.
Como exemplo, o executivo citou o Terminal de São Sebastião, no litoral de São Paulo. Segundo ele, a estrutura responde pela entrada de 25% do petróleo no Brasil e abastece quatro refinarias. “Sem ele, o Brasil para”, declarou.
O Fórum Nacional Brasil Export 2026 é realizado em Brasília e reúne representantes dos setores portuário, marítimo, logístico e de infraestrutura.