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Obras da Rota Bioceânica no Paraguai alcançam 47,5% de execução
Mesmo diante de dificuldades provocadas pelas chuvas, trabalhos no Lote 3 da rodovia PY15 avançam no departamento de Boquerón, no Chaco paraguaio
A grave crise financeira e política que atingiu o Paraguai, culminando no impeachment e na prisão domiciliar do presidente Santiago Peña, aparentemente não interrompeu as obras de infraestrutura do país. Segundo informações divulgadas na sexta-feira (6) pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), os trabalhos de implantação da Rota Bioceânica continuam em diferentes frentes. No departamento de Boquerón, o Lote 3 da rodovia PY15 alcançou 47,5% de execução física. O trecho tem aproximadamente 55 quilômetros e integra a ligação entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, no Chaco paraguaio.
O avanço ocorre apesar das dificuldades provocadas pelas fortes chuvas e pela elevada umidade do solo, que exigiram ajustes no cronograma. As equipes trabalham na melhoria do subleito com cal, estabilização da sub-base com cimento, preparação da base granular e aplicação de concreto asfáltico. O lote integra um segmento de 224 quilômetros dividido em quatro contratos, dos quais cerca de 220 quilômetros correspondem à estrada principal. A execução está a cargo da CDD Construcciones, com financiamento do Fonplata. O corredor deverá facilitar o transporte de cargas entre os portos do Atlântico e do Pacífico, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Apoio regulatório
O Fórum do Gás e o movimento União Pela Energia manifestaram apoio à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na revisão das tarifas de transporte de gás natural. As entidades defendem a continuidade do processo regulatório, contestado pelas transportadoras NTS e TAG. O Fórum do Gás, que reúne 19 associações do setor, pediu a abertura da terceira fase da revisão tarifária e da respectiva consulta pública, conforme o calendário estabelecido pela agência.
A manifestação ocorre após a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) anunciar a suspensão da aprovação de novos investimentos e a revisão de projetos. A gestora canadense La Caisse, que divide o controle da Transportadora Associada de Gás (TAG) com a Engie, também suspendeu R$ 4,1 bilhões em investimentos previstos entre 2027 e 2030. Desse montante, R$ 2,1 bilhões correspondem a empreendimentos incluídos no Novo PAC. As companhias questionam a metodologia adotada pela ANP para calcular a remuneração dos gasodutos e alegam insegurança regulatória.
A divergência envolve a Base Regulatória de Ativos, utilizada na definição das tarifas. Em outubro, a ANP zerou parcelas relacionadas às malhas Sudeste e Nordeste por considerar que os investimentos já haviam sido recuperados pelas receitas tarifárias. As transportadoras contestam a aplicação dos critérios. Já o União Pela Energia, que representa 70 setores industriais, sustenta que os consumidores não devem voltar a remunerar ativos cujo capital tenha sido recuperado. Segundo estimativas citadas pelo movimento, a diferença entre os métodos de cálculo pode chegar a R$ 1 bilhão por ano.