Norte Export
Operação da Petrobras na Foz do Rio Amazonas exige nova fase logística
Será necessário aprimoramento da infraestrutura portuária e aeroportuária para suportar as operações de petróleo e gás
A recente liberação dos estudos da Petrobras sobre a Foz do Rio Amazonas marca o início de uma nova fase logística e econômica para a região Norte, que exige aprimoramento da infraestrutura portuária e aeroportuária para suportar as operações de petróleo e gás, afirmou Antônio Batista Ribeiro Neto, diretor de atração de investimentos da Agência Amapá, nesta sexta-feira (26), durante o painel Operações de gás, combustíveis e a transição energética em portos e terminais da região Norte, no fórum Norte Export 2025, em Belém.
O painel, mediado por Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News, reuniu especialistas para debater os impactos da exploração de petróleo e da operação de combustíveis na região. Antônio Batista destacou que a liberação dos estudos está criando um deslocamento do eixo produtivo da energia. “Temos atividades sendo implementadas que são muito demandantes da logística. Precisamos aprimorar a infraestrutura portuária e aeroportuária para suportar essa operação”, afirmou, ressaltando a necessidade de melhorias no Porto de Belém e no Porto de Santana, no Amapá, especialmente para embarque, desembarque e reparos de embarcações.
Rubens Cerqueira Freitas, especialista em regulação da ANP, analisou a capacidade de armazenagem de combustíveis na região Norte. “Temos capacidade de aproximadamente 45 dias de combustíveis, mas crises hídricas ou externas podem comprometer o abastecimento. A exploração de petróleo trará investimentos, mas refinarias locais não são garantidas.” A logística fluvial, especialmente no Rio Madeira, se mostra um ponto crítico para o transporte eficiente de combustíveis. Mesmo com capacidade de armazenagem elevada, a região depende de transporte seguro e contínuo para garantir que o combustível chegue aos consumidores, principalmente em períodos de crise ou condições climáticas adversas.
Helano Gomes, vice-presidente executivo da Ultracargo, comentou sobre os impactos do setor privado e a importância de infraestrutura adequada. “O setor de petróleo depende de investimentos prévios e planejamento. Precisamos oferecer produtos mais baratos e eficientes, porque a vida gira em torno do combustível.” O Terminal de Vila do Conde implementou operações noturnas de navios, gerando uma redução de cerca de R$ 300 milhões ao ano nos custos. A integração com órgãos reguladores e ambientais permitiu superar restrições e agilizar o fluxo de produtos, garantindo eficiência e confiabilidade no abastecimento da região.
Thiago Lemgruber, diretor da Hidroclean, abordou a preparação para emergências e segurança operacional. “Temos mais de 50 bases, 700 funcionários e um sistema de gestão de incidentes que integra operação, agência ambiental e órgãos portuários. Garantimos resposta rápida a qualquer acidente, seja em terminais ou hidrovias.” A Hidroclean realiza simulados frequentes para que suas equipes estejam prontas para vazamentos, acidentes fluviais ou qualquer situação de emergência, minimizando riscos ambientais e financeiros e fortalecendo a segurança da operação de combustíveis na região.
Marcello Di Gregório, diretor da Super Terminais, falou sobre inovação e sustentabilidade na operação portuária. “Estamos instalando a primeira usina de gás da região Norte, para alimentar guindastes elétricos e reduzir 68 mil toneladas de CO2. É a virada de chave da nossa transição energética.” O projeto será implementado gradualmente, aumentando a capacidade operacional e reduzindo o trânsito de caminhões no transporte de diesel. Com investimentos em tecnologia limpa, a operação se torna mais eficiente e sustentável, gerando impactos econômicos positivos para o entorno dos terminais.