Brasil Export
Parcerias viabilizam obras para ampliar capacidade dos portos
Dragagem da Baía da Babitonga, em Santa Catarina, é apresentada como exemplo de cooperação entre iniciativa privada e poder público
A participação conjunta do poder público e da iniciativa privada em projetos de infraestrutura portuária foi apontada como uma alternativa para viabilizar obras necessárias à ampliação da capacidade operacional dos terminais brasileiros. Um dos exemplos é a dragagem da Baía da Babitonga, em Santa Catarina, realizada por meio de um modelo de antecipação de receitas envolvendo o Porto Itapoá e o Porto de São Francisco do Sul.
A experiência foi apresentada pelo CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, durante o Fórum Nacional Brasil Export 2026, em Brasília. Segundo ele, a intervenção permitirá ampliar as condições de operação de grandes porta-contêineres, embora a utilização plena da infraestrutura dependa de autorizações.
“Não tem terminal no Brasil que possa operar navios de 366 metros na sua capacidade total. Mas até o primeiro trimestre do ano que vem, nós vamos ter autorização da dragagem que foi realizada para que esses navios possam operar na sua capacidade total”, afirmou.
Arten ressaltou que a melhoria das condições de navegação precisa ser acompanhada por investimentos nos acessos terrestres. No caso da região da Babitonga, o executivo destacou a necessidade de duplicação das rodovias SC-416 e SC-417, responsáveis pela conexão com a BR-101.
“Tem que ser uma parceria. É preciso conversar com os governantes e mostrar a importância da infraestrutura, porque seu desenvolvimento traz riqueza, gera valor, emprego e renda”, declarou.
Acessos aos terminais
A necessidade de investimentos integrados também foi defendida pela diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Gabriela Costa. Segundo ela, a modernização dos terminais não produz todos os resultados esperados quando os acessos rodoviários, ferroviários e aquaviários continuam apresentando restrições.
“Se eu tenho uma Ferrari e só posso andar com ela numa estrada esburacada, sem acostamento e engarrafada, não adianta eu ter essa Ferrari. Não vou conseguir me valer dela em seu pleno potencial. É isso que está acontecendo com os terminais privados”, comparou.
Gabriela defendeu que portos e terminais sejam tratados como infraestruturas críticas, considerando sua contribuição para a movimentação de mercadorias e o desenvolvimento econômico.
“Esse não é um problema do governo. É um problema do País, porque o País não pensa suas infraestruturas de forma estratégica”, afirmou.
A executiva ressaltou que a superação dos gargalos exige planejamento e articulação entre os diferentes agentes envolvidos, além dos investimentos realizados individualmente pelos operadores.
Navios de maior porte
O diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Fabio Lavor, também destacou a necessidade de ampliar a infraestrutura para acompanhar a evolução da frota internacional de porta-contêineres.
Segundo ele, dos 17 portos brasileiros que movimentam contêineres, apenas oito apresentam condições para receber embarcações de 366 metros de comprimento. Nenhum deles, entretanto, consegue operar esses navios com sua capacidade total.
“Nós já estamos quatro gerações de navios atrasados. Isso nos impacta em torno de 14 a 15 anos de defasagem em termos de tecnologia de ponta”, afirmou.
Lavor apontou a dragagem dos canais de acesso, a ampliação dos berços de atracação e a construção de novos terminais como medidas necessárias para superar as limitações existentes. Ele mencionou dificuldades enfrentadas pelos portos de Santos e Itajaí.
O representante dos armadores ressaltou que as companhias marítimas já investem na renovação de suas frotas, mas dependem de condições adequadas nos portos para utilizar embarcações maiores.
“Estamos prontos para fazer os investimentos. Temos a frota sempre renovada, com navios contratados e em construção, prontos para operar. Mas precisamos da infraestrutura”, declarou.
As avaliações reforçaram a importância de combinar recursos públicos e privados na execução de projetos capazes de ampliar a capacidade portuária e melhorar a integração entre os terminais e os demais sistemas de transporte.