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Portos

Pecém e Suape precisam de US$ 544 milhões para eólicas offshore

Atualizado em: 29 de outubro de 2026 às 16:24
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Estudo da Agência Dinamarquesa de Energia aponta adaptações nos portos nordestinos para receber turbinas de grande porte

Os portos de Pecém (CE) e Suape (PE) têm potencial para apoiar a construção de parques eólicos offshore no Brasil, mas precisam de adaptações que podem demandar, juntas, US$ 544 milhões (cerca de R$ 2,9 bilhões). A estimativa considera a implantação de terminais dedicados a projetos com turbinas de 15 a 20 megawatts (MW), segundo estudo elaborado pela consultoria COWI para a Agência Dinamarquesa de Energia.

Do total previsto, US$ 356,5 milhões seriam destinados ao Porto do Pecém, enquanto Suape exigiria US$ 187,5 milhões. Os prazos indicativos para o desenvolvimento dos terminais são de seis anos e meio no complexo cearense e cinco anos e meio no pernambucano.

O levantamento contou com a participação dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e de Portos e Aeroportos (MPor). O trabalho realizou uma triagem de 43 portos brasileiros e selecionou seis instalações para avaliação detalhada: Pecém, Suape, Porto Central (ES), Açu (RJ), Imbituba (SC) e Rio Grande, na área do Estaleiro EBR (RS).

As estimativas são conceituais e não representam investimentos anunciados ou contratados. Os valores também não incluem todas as despesas necessárias à implantação, como aquisição de terrenos, financiamento, elaboração de projetos detalhados e licenciamento.

Porto do Pecém, no Ceará: boa localização das áreas próximas a parques eólicos. Foto: Divulgação/Complexo do Pecém

Localização

No Porto do Pecém, a proximidade de áreas propostas para parques eólicos e a experiência na movimentação de componentes da indústria eólica terrestre aparecem entre os principais diferenciais. O complexo abriga a fabricante de pás Aeris e possui uma base industrial que, segundo o estudo, pode contribuir para o desenvolvimento da cadeia produtiva offshore.

O principal desafio está na ligação entre os cais e os pátios em terra, realizada por pontes de acesso. O transporte de componentes maiores e mais pesados exigirá avaliações estruturais e logísticas dessas instalações.

A estimativa de US$ 356,5 milhões inclui US$ 125 milhões para a construção de uma nova ponte. Esse valor poderá ser reduzido caso a estrutura existente seja considerada adequada para atender às novas operações.

O conceito de terminal proposto prevê 15 hectares para armazenamento e pré-montagem junto ao cais, além de outros 15 hectares em terra. A solução depende da expansão do quebra-mar prevista no Plano Diretor do porto, intervenção que não está incluída no orçamento estimado para o terminal eólico.

Para projetos próximos à costa, classificados como nearshore, que utilizem turbinas de 6 MW a 8 MW, os investimentos seriam menores. Um terminal dedicado em Pecém teria custo estimado de US$ 91 milhões, com prazo de quatro anos e meio. Já o compartilhamento de instalações existentes, acompanhado da preparação de novas áreas de armazenamento, demandaria US$ 35,5 milhões e dois anos e meio.

O complexo também é considerado adequado para abrigar uma base de operação e manutenção dos parques. Para essa estrutura, o estudo estima investimentos entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões, com aproveitamento de áreas preparadas para as atividades de construção.

Estudo aponta boa infraestrutura em Porto de Suape, em Pernambuco. Foto: divulgação/Suape

Infraestrutura

Em Suape, o estudo destaca as águas profundas e abrigadas, a base industrial, a experiência na movimentação de componentes eólicos terrestres e o potencial de expansão do complexo.

A distância superior a 400 quilômetros dos projetos offshore mais próximos considerados na análise, entretanto, é apontada como uma restrição para a logística das embarcações de instalação. Por isso, os autores recomendam um estudo específico de viabilidade logística antes de qualquer decisão de investimento em um terminal de grande porte. Para as atividades de operação e manutenção dos parques avaliados, Suape não foi considerado adequado em razão dos deslocamentos necessários.

O terminal proposto utiliza as áreas dos cais 7 e 8, com cerca de 29 hectares para armazenamento e 890 metros de cais. As intervenções incluem dragagem, preparação dos pátios e construção de estruturas capazes de suportar cargas pesadas.

Segundo o levantamento, os cais existentes não possuem capacidade de suporte suficiente para grandes componentes offshore, enquanto as áreas atuais de armazenamento estão ocupadas ou vinculadas a contratos de arrendamento.

A estimativa de US$ 187,5 milhões não inclui a ampliação do canal de acesso interno necessária para alcançar os novos cais, considerada parte do desenvolvimento mais amplo do porto.

Para projetos *nearshore*, um terminal dedicado no berço 7 exigiria US$ 93,5 milhões e quatro anos e meio de desenvolvimento. O compartilhamento de instalações existentes, com a preparação de novas áreas de armazenamento, teria custo estimado de US$ 37,5 milhões e prazo de dois anos e meio.

Itaqui, Fortaleza e Recife também foram avaliados

Outros portos do Nordeste também apareceram na triagem inicial. No Maranhão, o Porto do Itaqui informou ocupação de aproximadamente 90%, com planos de expansão voltados principalmente às atividades já atendidas.

O Porto de Fortaleza apresentou limitações de espaço para armazenamento e expansão. Já o Porto do Recife, apesar da proximidade de determinados projetos, foi preterido em favor de Suape devido à infraestrutura, à flexibilidade das instalações e ao maior potencial de crescimento do complexo pernambucano.

O estudo também menciona projetos portuários no Piauí e no Rio Grande do Norte como possíveis candidatos a avaliações futuras. No caso potiguar, a proposta prevê áreas para fabricação de pás, armazenamento, pré-montagem, instalação e manutenção, além de integração com a produção de hidrogênio verde e amônia. Os proponentes estimam investimentos privados de aproximadamente R$ 5,6 bilhões. Na situação retratada pelo levantamento, contudo, a concessão ainda não havia sido adjudicada e as principais etapas de licenciamento permaneciam pendentes.

No Piauí, o estudo não identificou informações técnicas e estratégicas suficientes para avaliar a infraestrutura e o estágio de desenvolvimento do projeto. Nenhuma das duas propostas foi incluída na avaliação detalhada ou considerada alternativa de curto prazo aos portos selecionados.

Planejamento portuário e transição energética

O estudo considera o marco legal estabelecido pela Lei nº 15.097/2025 e busca oferecer subsídios para o planejamento portuário e as decisões de investimento. A seleção das seis instalações não determina quais portos deverão atender aos futuros empreendimentos, mas identifica oportunidades, limitações e intervenções necessárias.

A chefe de Gabinete da Secretaria Nacional de Portos, Marina Bailão, destacou que a preparação da infraestrutura precisa começar com antecedência, já que as adaptações podem levar de cinco a sete anos ou mais.

“A atuação conjunta entre MME e o MPOR demonstra que o planejamento da transição energética brasileira caminha lado a lado com a logística portuária”, afirmou a diretora do Departamento de Transição Energética do MME, Karina Araújo, durante o lançamento.

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TAGS energia eólica eólicas offshore Porto de Suape Porto do Pécem portos sustentabilidade
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