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Petrobras e BNDES lançam edital para contratar 5 mi de créditos de carbono
Concorrência selecionará projetos capazes de restaurar ao menos 3 mil hectares cada em áreas amazônicas
A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram na segunda-feira (10) o primeiro edital do ProFloresta+, programa que prevê a contratação de 5 milhões de créditos de carbono de alta integridade. Serão firmados cinco contratos de 1 milhão de créditos cada, a serem gerados a partir da restauração ecológica de, no mínimo, 3 mil hectares por projeto em áreas privadas ou públicas sob concessão florestal na Amazônia, ao longo de 25 anos.
A estatal afirma que a iniciativa deve estabelecer uma referência de preço e de requisitos técnicos para esse tipo de projeto. “Nossa equipe está muito otimista com essa primeira transação de créditos de carbono de restauração ecológica da Petrobras. A expectativa é que ela sirva como referência de preço e requisitos técnicos para a geração de créditos de carbono de alta qualidade a partir da restauração florestal de nossos biomas”, avaliou a diretora de Sustentabilidade e Transição Energética da Petrobras, Angélica Laureano.
O ProFloresta+ foi estruturado pela Petrobras em parceria com o BNDES para oferecer condições financeiras específicas aos vencedores, por meio de linhas como o Fundo Clima, com taxa anual de 1% e prazos compatíveis com projetos de restauração de longo ciclo. Segundo a estatal, o edital pode mobilizar mais de R$ 450 milhões em investimentos. Para o BNDES, a operação integra uma estratégia de ampliar instrumentos financeiros voltados ao setor florestal. “O BNDES está ajudando a transformar o setor florestal em um motor da economia verde. Com crédito, recursos não reembolsáveis e inovação financeira, criamos condições reais para escalar a restauração e o uso sustentável dos nossos biomas. O ProFloresta+ é um exemplo dessa visão: um instrumento que vai fortalecer o mercado de carbono de alta integridade e gerar benefícios concretos para as pessoas e para o planeta”, afirmou Tereza Campello, diretora Socioambiental do banco.
Como o programa viabiliza projetos greenfield, o cronograma considera o tempo necessário para aquisição ou arrendamento das áreas, organização do fornecimento de sementes e mudas, plantio e certificação dos créditos. A Petrobras prevê que os primeiros créditos sejam entregues em até sete anos após a assinatura dos contratos, com novas entregas a cada cinco anos até completar os 25 anos previstos.
As propostas poderão ser apresentadas em 30 dias. Entre os pré-qualificados, serão selecionadas as empresas que apresentarem projetos de restauração com espécies nativas e que ofertarem o menor preço pelos créditos gerados a partir do reflorestamento de áreas degradadas. A Petrobras informa que garantirá a compra dos créditos por meio de contratos de longo prazo (offtake), com valores definidos na licitação. Nesta etapa, serão aceitos consórcios com até quatro empresas; cada participante poderá firmar até três contratos, somando no máximo 3 milhões de créditos. Os lotes disponíveis são de 1, 2 ou 3 milhões de créditos. O edital está disponível na Petronect (Oportunidade 7004526249).
A iniciativa
O ProFloresta+ foi anunciado em março de 2025 como uma iniciativa para remunerar projetos de restauração na Amazônia por meio da venda de créditos de carbono. A meta do programa é recuperar cerca de 50 mil hectares de áreas degradadas e gerar 15 milhões de créditos. A concepção contou com apoio técnico do Nature Investment Lab (NIL) e do Instituto Clima e Sociedade (iCS). Com suporte do iCS, Agroicone e Imaflora participaram da definição dos requisitos de integridade, cobenefícios e salvaguardas socioambientais, enquanto o escritório Mattos Filho atuou na assessoria jurídica. Segundo a Petrobras, além de reduzir e compensar emissões, o programa contribui para ampliar a cobertura vegetal com espécies nativas e para fortalecer a cadeia de restauração florestal e do mercado de créditos de carbono no país.