Petróleo e Gás
Petrobras já contratou diesel para outubro e reforça produção interna
Magda Chambriard cita aumento da capacidade de refino, maior produção de combustíveis nobres e negociações com fornecedores da Índia
A Petrobras já tem carga contratada de diesel para outubro e está ampliando a produção interna do combustível por duas frentes, afirmou nesta quinta-feira (24) a presidente da estatal, Magda Chambriard, ao comentar a possibilidade de suspensão das exportações do produto pelos Estados Unidos, hipótese anunciada pelo presidente daquele país, Donald Trump.
“Nós estamos ampliando nossa produção de diesel de duas maneiras: ampliando capacidade de refinaria e também alterando o processo para fazer mais combustíveis nobres, e o diesel é o primeiro deles”, informou Magda após palestra na ROG.e 2026, evento de petróleo e gás realizado no Rio de Janeiro.
A executiva explicou que a Petrobras também recorre a outros mercados para complementar o abastecimento. Entre eles está a Índia, onde a estatal mantém conversas com refinadores locais.
Ela citou, inclusive, negociações com a Reliance, maior refinadora do país. “Temos uma conversa interessante com os refinadores da Índia, inclusive com o maior refinador da Índia, que é a Reliance”, afirmou.
Magda avaliou ainda que talvez em novembro não haja necessidade de importar diesel. Segundo ela, a Casa Branca já teria negado a possibilidade de suspensão das exportações norte-americanas do combustível.
“A Casa Branca hoje já desmentiu isso. O assunto surgiu na mídia e hoje a Casa Branca já desmentiu”, afirmou. A presidente da Petrobras disse ainda não acreditar que os Estados Unidos venham a interromper as vendas externas de diesel.
“A única coisa que a gente sabe é que, em tempos conturbados, como o que nós estamos vivendo hoje, tudo o que a gente fizer em prol da segurança energética do País é válido”, acrescentou.
A ampliação da capacidade de refino e os ajustes no processo produtivo fazem parte da estratégia da Petrobras para elevar a oferta doméstica de derivados e reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional.
Braskem
Durante a mesma agenda, Magda também comentou a situação da Braskem e voltou a afirmar que a Petrobras não pretende ampliar sua participação na petroquímica a ponto de assumir o controle da companhia.
A estatal detém 47,03% do capital votante da Braskem, cujo Conselho de Administração se reúne nesta sexta-feira (25). Segundo Magda, não está no horizonte da Petrobras uma operação que leve à estatização da empresa.
“Ampliar nossa participação não está no nosso horizonte e, portanto, não há o que falar em Petrobras aportar recursos sem falar em parceiros em geral, acionistas em geral, aportando recursos”, afirmou.
A presidente da Petrobras disse ainda que a atuação da estatal e da IG4 na Braskem está dividida entre áreas distintas. Segundo ela, a Petrobras participa da gestão da operação da petroquímica, enquanto a IG4 atua na frente corporativa e financeira.
“Essa é a forma que nós estruturamos, e acredito que já está dando resultado”, disse Magda.