Região Sul
Porto de Imbituba inicia novo monitoramento das baleias-francas
Primeira ação aérea de 2025 registrou presença de aproximadamente 85 indivíduos, incluindo fêmeas com filhotes, na costa sul catarinense
Com registros de aproximadamente 85 baleias-francas, incluindo 38 fêmeas com filhotes, o primeiro sobrevoo da temporada 2025 foi realizado na última sexta-feira (11) como parte do Programa de Monitoramento das Baleias-Francas conduzido pelo Porto de Imbituba. A ação marca o início de mais um ciclo de esforços coordenados pela SCPAR Porto de Imbituba para acompanhar a presença dos cetáceos no litoral sul catarinense e garantir que as operações portuárias coexistam com a conservação da espécie.
A atividade contou com a participação de profissionais do Projeto Franca Austral (ProFRANCA), do Instituto Australis, da Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental e do próprio porto. A bordo do helicóptero, uma equipe formada por dois observadores e um fotógrafo percorreu a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca desde Florianópolis até Balneário Arroio Corrente, onde as condições climáticas obrigaram a interrupção da varredura. Ainda assim, o levantamento inicial confirmou a presença expressiva dos animais, especialmente entre as praias do Rosa e de Itapirubá Norte, em Imbituba, e no Siriú, em Garopaba — este último com destaque para um filhote semi albino.
“É com grande satisfação que registramos o início de mais uma temporada de monitoramento das baleias-francas no litoral catarinense. Os dados obtidos com os sobrevoos são fundamentais para que possamos alinhar nossas operações portuárias com a conservação da biodiversidade marinha, reforçando o compromisso do Porto de Imbituba com a sustentabilidade e a proteção desses animais tão emblemáticos”, afirma Christiano Lopes, diretor-presidente do Porto de Imbituba.
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Desde 2009, o porto desenvolve de forma sistemática o monitoramento das baleias-francas, integrando a iniciativa ao seu Plano de Controle Ambiental (PCA). O programa conta com duas frentes principais: os sobrevoos, como o realizado na sexta-feira, e a observação terrestre, que ocorre de julho a novembro a partir de pontos fixos nas praias do Porto e da Ribanceira. A metodologia adotada permite o levantamento de dados sobre a frequência, o comportamento e a distribuição espacial das baleias na área de influência do porto, base essencial para a definição de medidas operacionais que assegurem a continuidade das atividades portuárias sem comprometer a integridade da fauna marinha.
“A região costeira de Imbituba é o principal ponto de aproximação desses mamíferos marinhos, então é de extrema importância a realização do monitoramento para garantir a conservação e a segurança da espécie, concomitante com as operações portuárias”, reforça Lopes.
Imbituba guarda uma relação histórica com as baleias-francas. A cidade foi sede da última armação baleeira em atividade no litoral catarinense. A retomada da presença desses cetáceos nas águas da região tem sido encarada pelo porto como uma responsabilidade ambiental e uma forma de reparação histórica.
“Imbituba foi a última armação baleeira a ser fechada no litoral catarinense e, de certa forma, temos uma dívida com esses magníficos animais. O programa de monitoramento de cetáceos é uma forma de compensar, também, tudo o que foi feito no passado, e é realizado com muito carinho e cuidado pelo Porto de Imbituba”, afirma Paulo Márcio de Souza, gerente do Departamento de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da autoridade portuária.
Ele observa ainda a recuperação gradual da população desses animais. “Atualmente, podemos observar que a população desses mamíferos marinhos vem crescendo ano após ano”, destaca.
Com uma população estimada em 800 indivíduos e taxa de crescimento anual de 4,8%, a baleia-franca ainda é considerada uma espécie ameaçada de extinção no Brasil. Os dados são resultado de mais de duas décadas de monitoramento realizado pelo ProFRANCA, e ajudam a consolidar o litoral catarinense, especialmente a região de Imbituba, como a principal área de concentração reprodutiva da espécie no país.