Região Nordeste
Porto de Natal é habilitado para exportar gado vivo
RN se torna o primeiro estado do Nordeste a ter um terminal apto a embarcar animais vivos; primeiro carregamento sai nos próximos dias
O Rio Grande do Norte passa a contar com um porto habilitado para exportação de animais vivos, condição alcançada após o Ministério da Agricultura e Pecuária concluir, em 17 de junho, as vistorias do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional no Porto de Natal. O estado se tornou o primeiro do Nordeste com um terminal apto a esse tipo de operação, e a primeira carga, com cerca de 3.300 animais, tem embarque previsto para os próximos dias, com destino ao Líbano, em formato de teste.
A habilitação engloba o embarque e o desembarque de bovinos, ovinos, equinos e suínos. Aves, ovos e animais de companhia ficam fora do escopo, assim como cargas refrigeradas e congeladas, restritas a produtos de origem vegetal. Não há prazo de validade estabelecido para a autorização.
Antes de chegar ao porto, os animais passam por um período de quarentena em uma das duas Estações de Pré-Embarque já credenciadas no estado. Uma delas opera no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu, em Alto do Rodrigues, autorizada pelo ministério em agosto de 2025. A outra está em São Gonçalo do Amarante, a cerca de 50 quilômetros da capital, e será o ponto de partida do primeiro embarque-teste. As duas unidades somam investimento privado de R$ 3,4 milhões cada, aplicado para atender às exigências regulatórias.
A Companhia Docas do Rio Grande do Norte, responsável pela administração do terminal, declarou ter cumprido integralmente as exigências do Vigiagro e atribuiu aos exportadores a definição da data de início das operações regulares. No documento de habilitação, consta que as edificações, instalações e equipamentos disponibilizados ao órgão de fiscalização atendem às condições necessárias para os controles do ministério.
LOCALIZAÇÃO
A proximidade com os mercados compradores do Oriente Médio e do Norte da África coloca o Porto de Natal em posição diferente dos terminais do Sul e do Norte do país: a rota reduz em até 14 dias o tempo de viagem dos navios, o que reflete diretamente nos gastos com combustível e com a alimentação dos animais durante o trajeto.
Essa distância menor é apontada pelo setor como fator que pode atrair operações regulares ao terminal potiguar. O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte, Guilherme Saldanha, afirmou ao jornal Tribuna do Norte que a liberação das exportações regulares pelo MAPA deve ocorrer após o primeiro embarque, e estimou em torno de R$ 9 bilhões o volume desse mercado no país, com meta de capturar 10% dele — o equivalente a uma faixa entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão na economia do estado por ano.
O governo estadual também se manifestou sobre o avanço. Em nota, o secretário adjunto da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, descreveu a habilitação como resultado de um processo que envolve padrões sanitários, logísticos e de fiscalização elevados, e relacionou a aprovação à capacidade do Rio Grande do Norte de competir em um mercado exigente, com reflexos em investimentos e empregos.
Na mesma nota, Fonseca estendeu a leitura ao conjunto da região nordestina, associando a habilitação a uma posição dentro da rota internacional do agronegócio e ao papel do Nordeste como fornecedor para mercados externos. Para a secretaria, a medida cria condições para o crescimento das exportações nordestinas e para a atração de investimentos ligados à cadeia de produção animal.
RECORDE NACIONAL
O cenário brasileiro de exportação de bovinos vivos vinha em trajetória de crescimento antes da habilitação do porto potiguar: o país fechou 2024 com 947,8 mil cabeças exportadas, um salto de mais de 40% sobre o ano anterior, e manteve a alta em 2025, com avanço de 5,53%. Quase 80% da demanda parte de países do Oriente Médio e do Norte da África, enquanto o Pará concentra 85% dos embarques realizados no território nacional.
O setor privado já demonstra reação a esse movimento. A empresa Corte 84 encerrou as operações industriais que mantinha em Macaíba para direcionar a atuação à exportação de gado vivo pelo Rio Grande do Norte, decisão tomada antes mesmo da conclusão do processo de habilitação do porto.