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Portos

Porto de São Francisco do Sul ganha prêmio por dragagem e recuperação de praias

Atualizado em: 18 de junho de 2026 às 17:16
Mariana Nerome Enviar e-mail para o Autor

Projeto da Jan De Nul destinou 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos ao maior alargamento de praias do Brasil

O Porto de São Francisco do Sul conquistou o primeiro lugar na categoria “Iniciativas Verdes em Portos” do Prêmio Marítimo das Américas 2026, concedido pela Organização dos Estados Americanos (OEA). A premiação reconhece a obra que aprofundou o canal externo da baía da Babitonga e destinou parte dos sedimentos ao maior projeto de alargamento de praias do Brasil, em Itapoá, no litoral norte catarinense.

A dragagem do canal externo, contratada pelo porto, amplia o acesso aos terminais da região. Com a remoção de 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, embarcações de maior porte passam a operar no local. Cerca de metade do material será utilizada na recomposição da faixa costeira de Itapoá, município que enfrenta erosão severa há anos. A área beneficiada abrange 8,8 quilômetros da orla.

A execução ficou a cargo da Jan De Nul. Segundo o diretor executivo da empresa, Sergio Correa, o projeto combinou dois objetivos que normalmente são tratados separadamente.

“Por um lado, precisávamos executar a dragagem de aprofundamento conforme o projeto de engenharia para expansão do canal de acesso. Por outro, era necessário identificar, dentro do material dragado, sedimentos com características geotécnicas e granulométricas compatíveis com a recuperação da linha de costa”, afirmou.

De acordo com ele, essa sobreposição exigiu estudos adicionais. “O cumprimento desses dois objetivos demandou análises complementares para validar a compatibilidade dos sedimentos destinados ao engordamento das praias”, disse.

Do total de cerca de 12,8 milhões de metros cúbicos dragados, aproximadamente 7 milhões apresentam características adequadas para a alimentação artificial da praia. O restante será destinado a áreas licenciadas de disposição offshore.

Correa destaca que a triagem dos sedimentos durante a operação foi um diferencial. “Diferentemente de Balneário Camboriú, onde a dragagem ocorreu em uma jazida específica para a praia, em São Francisco do Sul foi necessário atender simultaneamente às exigências do canal de navegação”, explicou. “A operação precisou garantir o perfil do canal e, ao mesmo tempo, selecionar materiais compatíveis para a recuperação da praia de Itapoá”, completou.

A operação mobilizou a draga TSHD Galileo Galilei, equipada com sistemas avançados de monitoramento e controle. Segundo o executivo, o equipamento permite alta precisão tanto na dragagem quanto na disposição dos materiais. A presença da empresa no Brasil também contribuiu para ganhos logísticos e redução de prazos.

Os trabalhos começaram em outubro do ano passado e devem ser concluídos no segundo semestre de 2026. A iniciativa é considerada pioneira no uso de sedimentos de dragagem portuária para recuperação de praias no Brasil.

O reconhecimento da OEA levou em conta os ganhos ambientais, econômicos e sociais do projeto, incluindo o reaproveitamento de sedimentos, o complexo processo de licenciamento ambiental, a modelagem da distribuição da areia e o plantio de mudas para fixação de dunas e contenção da erosão.

Para Correa, os principais desafios não foram técnicos. “Os maiores entraves foram regulatórios e administrativos, especialmente no licenciamento e no alinhamento entre órgãos”, afirmou. “Desafios técnicos são parte da rotina de equipes especializadas”, completou.

O prêmio se soma a outros projetos da empresa voltados à sustentabilidade. Entre eles estão o AquaForest, no Equador, voltado à criação de áreas de manguezais; o AquaReef, nas Maldivas, de restauração de recifes de corais; e o BelReefs, no Mar do Norte belga, focado na recuperação de recifes de ostras.

Segundo o executivo, o modelo aplicado em São Francisco do Sul pode ser replicado no Brasil, desde que haja compatibilidade dos sedimentos. “O reaproveitamento representa uma alternativa mais sustentável do que a simples disposição offshore e está alinhado às melhores práticas internacionais”, concluiu.

 

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TAGS Jan De Nul Porto de São Francisco do Sul premiação
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