Portos
Portos aguardam aval do governo para priorizar desembarque de fertilizantes
Conflitos no Oriente Médio levaram o governo a avaliar medidas para garantir o abastecimento do insumo no país
Portos brasileiros aguardam posicionamento do Governo Federal para adotar medidas que priorizem a atracação e a operação de navios que transportam fertilizantes. A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), busca reduzir o tempo de espera das embarcações e assegurar o abastecimento do insumo às regiões produtoras.
O governo pretende mitigar possíveis riscos de desabastecimento provocados pela escalada dos conflitos no Oriente Médio. Na avaliação da União, garantir maior fluidez ao desembarque de fertilizantes é uma ação estratégica para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro.
Dois dos principais complexos portuários responsáveis pela entrada de fertilizantes minerais no país são os portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR).
Líder na importação de fertilizantes entre os portos brasileiros no ano passado, o Porto de Paranaguá já movimentou mais de 4,7 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026. O complexo responde por mais de 25% de todo o fertilizante mineral importado pelo país.
Em nota, a Portos do Paraná informou que, no momento, não há necessidade de adoção de medidas adicionais para priorizar esse tipo de operação. A autoridade portuária destacou que os portos de Paranaguá e Antonina contam com cinco berços de atracação destinados ao desembarque de fertilizantes, atendendo plenamente à demanda, sem registro de filas de navios.
A empresa ressaltou ainda que, por ser uma autoridade portuária delegada ao governo estadual, não está subordinada diretamente à União. Por esse motivo, não houve, até o momento, solicitação formal para adoção de medidas de priorização.
Já a Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que aguarda a publicação de uma portaria ou ato normativo por parte do Mapa e do MPor que altere formalmente as regras vigentes para a programação de navios. A companhia reiterou que dispõe de estrutura e planejamento operacional voltados à eficiência no desembarque de granéis sólidos minerais.
Em 2025, o Porto de Santos ocupou a segunda posição na importação de fertilizantes entre os portos brasileiros, com 8,42 milhões de toneladas recebidas. Os insumos são distribuídos para regiões produtoras da hinterlândia do complexo, como os estados do Centro-Oeste, além do interior de São Paulo e de Minas Gerais.
Cenário preocupa
As medidas em avaliação ocorrem em meio à crescente preocupação do governo brasileiro com o cenário geopolítico no Oriente Médio, região que concentra importantes produtores de fertilizantes e matérias-primas utilizadas na fabricação desses insumos. Eventuais interrupções nas rotas marítimas ou atrasos nas operações logísticas podem comprometer o abastecimento justamente no período de preparação para a próxima safra.
O tema ganha ainda mais relevância diante da elevada dependência externa do país. Atualmente, cerca de 93% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, especialmente nitrogenados, fosfatados e cloreto de potássio.
O pedido do Mapa não altera os procedimentos de fiscalização, permanecendo obrigatórias as inspeções realizadas pela Receita Federal, pelos órgãos sanitários e demais agentes de controle.