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Brasil Export

Portos brasileiros começam a estudar adaptação para navios de 400 metros

Atualizado em: 7 de outubro de 2026 às 14:48
Geovanna Barbosa Enviar e-mail para o Autor

Após uma década de estudos e adaptações para receber embarcações de 366 metros, terminais já começam a avaliar as exigências para uma nova geração de porta-contêineres

Os portos brasileiros começam a estudar a adaptação necessária para receber navios porta-contêineres de até 400 metros. Após uma década de estudos e adequações para operar embarcações de 366 metros, o setor já avalia os desafios futuros por uma nova geração de navios, que circula em mercados da Europa, Ásia e Estados Unidos e pode reduzir o custo do frete em até 15%.

A nova mudança foi apresentada pelo professor titular do Departamento de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Tanque de Provas Numérico, Eduardo Tannuri, durante o Momento Pianc Brasil, realizado nesta terça-feira (7), no Fórum Nacional Brasil Export 2026, em Brasília.

Segundo Tannuri, o Brasil passou, nos últimos 15 anos, por um processo de adaptação para acompanhar o crescimento da frota de porta-contêineres. Até então, as maiores embarcações que entravam nos terminais brasileiros tinham cerca de 336 metros de comprimento, 48 metros de boca e capacidade próxima de 14 mil TEUs.

A nova geração, com 366 metros, acrescentou cerca de 30 metros ao comprimento e aproximadamente 2 mil contêineres à capacidade. O aumento, porém, levanta questionamentos sobre os espaços físicos nos portos. “Embora a gente tenha um aumento de 10% no seu comprimento, a demanda de espaço não é proporcional”, explicou Tannuri.

Por isso, a Pianc recomenda que os terminais se adaptem às novas condições de operação, considerando fatores como canais de acesso, bacias de evolução, berços, profundidade, dragagem, uso de rebocadores, janelas ambientais, manobras de contingência e análise de riscos.

Porto de Santos

O Porto de Santos foi um dos exemplos apresentados por Tannuri. Os primeiros estudos realizados pela equipe da USP para a operação de grandes porta-contêineres começaram em 2014. O primeiro navio de 366 metros entrou no complexo em 2024, após uma década de estudos, treinamentos, mudanças normativas e obras.

Um dos principais desafios foi a chamada interação hidrodinâmica, fenômeno que ocorre quando uma embarcação passa próxima a outra e pode provocar forças de sucção capazes de deslocar o navio atracado, afetando cabos de amarração e defensas.

Em Santos, a adaptação é importante devido à intensa movimentação de navios e às características dos porta-contêineres. Segundo Tannuri, essas embarcações têm dificuldade para navegar em velocidades muito baixas, o que levou a mudanças nos procedimentos de operação.

Entre as medidas adotadas está o limite de velocidade de sete nós para a passagem dos grandes porta-contêineres pelo canal, além do uso de rebocadores em determinadas situações e do reforço das amarrações em berços considerados críticos. “Foram diversos estudos e depois disso, nós tivemos muitas campanhas de treinamento e avaliações em simuladores”, afirmou.

Os testes permitiram antecipar situações que poderiam ocorrer durante as manobras reais. Além do simulador da USP, foram utilizados modelos reduzidos de embarcações para avaliar o comportamento dos navios em diferentes condições.

Paranaguá e Rio

No Porto de Paranaguá, um dos obstáculos para a operação dos navios de 366 metros estava no canal de acesso, nas chamadas Pedras das Palanganas. A estrutura tinha uma abertura de cerca de 166 metros e exigia uma entrada inclinada das embarcações.

Após estudos e obras de derrocagem, a abertura passou para 224 metros, permitindo a passagem dos grandes porta-contêineres. Segundo Tannuri, existe ainda um plano para a retirada completa das pedras.

O professor também citou o Porto do Rio de Janeiro, onde os estudos realizados pela equipe da USP começaram em 2020 e o primeiro navio de 366 metros entrou esse ano.

A adequação envolveu uma obra de dragagem e avaliações das características do canal de acesso. Os estudos chegaram a considerar a relação entre a operação dos porta-contêineres e a rota das aeronaves que utilizam o Aeroporto Santos Dumont. “A gente modelou exatamente a rota da aviação no nosso simulador e avaliamos a distância que ele ia passar do navio contêineiro”, afirmou Tannuri.

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TAGS brasil export Infraestrutura portos
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