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Mercosul Export

Privatização da hidrovia Paraná–Paraguai é destaque em painel

14 de maio de 2026 às 18:35
Vanessa Pimentel Enviar e-mail para o Autor

Proposta do governo Milei prevê concessão de 1.400 km por até 30 anos, mas enfrenta críticas sobre risco de monopólio e falta de metas técnicas 

A proposta de privatização da hidrovia Paraná–Paraguai foi destaque durante o painel “Hidrovias como eixo de transformação regional”, realizado nesta quinta-feira (14), na Argentina, dentro da programação do Mercosul Export – fórum promovido pelo Grupo Brasil Export.

A mediação ficou a cargo de Raquel Kibrit, presidente do Conselho LATAM Export, que destacou a iniciativa do presidente argentino, Javier Milei, de conceder à iniciativa privada a gestão da hidrovia — considerada estratégica para o comércio exterior do Mercosul.

O governo argentino já havia lançado uma primeira licitação para o projeto, mas o processo acabou fracassando. Em uma nova tentativa, a atual proposta de concessão despertou o interesse de três empresas internacionais, sendo duas belgas e uma brasileira.

O plano prevê a concessão de aproximadamente 1.400 quilômetros da via navegável por um período de 25 anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco. A futura concessionária será responsável por serviços como dragagem, sinalização e cobrança de pedágios ao longo do trajeto, por onde escoam mais de 80% das exportações da Argentina.

Diferentemente do modelo anterior — que foi anulado por falta de concorrência —, o novo edital passou por reformulações com apoio técnico da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

O objetivo foi ampliar a transparência e tornar o projeto mais atrativo a investidores. Entre as mudanças, estão a redução dos custos de referência e a ampliação das áreas contempladas na concessão.

A expectativa do governo é que a análise das propostas seja concluída em cerca de três meses, permitindo que o novo operador assuma a gestão ainda no segundo semestre de 2026.

Apesar das alterações, o projeto segue sendo alvo de críticas. Especialistas e representantes políticos apontam o risco de concentração de mercado e questionam a ausência de metas mais claras para o aprofundamento do canal, considerado fundamental para a operação de embarcações de maior porte.

O governo, por sua vez, sustenta que o modelo adotado é flexível e permitirá ajustes futuros, com base em novos estudos técnicos sobre a profundidade da hidrovia.

O painel contou com a participação de Angelo Maranho, Diretor Institucional de Navegação do Grupo ATEM; Guillermo Pagliettini, Diretor Executivo da Cámara Argentina de Vías Navegables y Dragados Ambientales; Diego Azqueta, General Manager da Interbarge; Guillermo Valles, Ex-embaixador do Uruguai, membro do Mercosul Export e especialista em hidrovias e Sebastian Creta, Gerente de Operações da Rocktree. 

 

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