Hidrovias
Seca coloca hidrovias do Madeira, Tapajós e Paraguai em alerta
Relatório do Ministério de Portos e Aeroportos aponta níveis baixos e perspectiva de menos chuvas
A seca colocou as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós e Paraguai em situação de alerta para o transporte de cargas e passageiros, com possíveis reflexos sobre o escoamento da produção agrícola e o abastecimento de comunidades ribeirinhas. Relatório do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aponta níveis baixos em trechos estratégicos e perspectiva de redução das chuvas em parte da Amazônia nos próximos meses.
O cenário preocupa especialmente nos corredores utilizados para transportar grãos do Centro-Oeste aos terminais de exportação do Arco Norte. No rio Madeira, a estação de Porto Velho (RO) registrou nível de 3,07 metros em 30 de setembro, após queda de 1,37 metro ao longo do mês. A marca está abaixo dos quatro metros utilizados como referência para o início de restrições à navegação. O patamar de dois metros é usado como referência para a interrupção do tráfego.
A situação, porém, ainda não representa uma suspensão geral da navegação. A hidrovia conecta Porto Velho ao rio Amazonas e é uma rota importante tanto para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste quanto para o abastecimento de municípios da região.
Preocupação
No rio Tapajós, no Pará, as condições de navegação também exigem atenção. O relatório identificou profundidades de 3,15 metros em Itapaiúna e 2,99 metros em Monte Cristo, pontos considerados críticos para a circulação de embarcações.
Em 30 de setembro, o nível do rio na estação de Itaituba era de 2,40 metros, após recuo de 1,91 metro durante o mês. Em Santarém, chegou a 2,63 metros, com queda mensal de 2,10 metros. Para as duas estações, a previsão era de níveis abaixo da mediana histórica.
O Tapajós é uma das principais rotas de escoamento de grãos do Centro-Oeste pelo Arco Norte. A produção chega por rodovia, principalmente pela BR-163, aos terminais de Miritituba, em Itaituba, de onde segue em barcaças para os portos de exportação. No primeiro bimestre de 2026, a hidrovia transportou 2,38 milhões de toneladas, das quais soja e milho responderam por 86%. A rota também movimenta fertilizantes e granéis líquidos.
Rio Paraguai
No Pantanal, o principal ponto de atenção é a hidrovia do Paraguai, que conecta o sistema fluvial da região a portos da Argentina e do Uruguai. Em três estações monitoradas, os níveis estavam abaixo da mediana histórica para o período.
Em Cáceres (MT), o rio registrou 77 centímetros em 30 de setembro, diante de uma mediana histórica de 1,42 metro. Em Ladário (MS), o nível era de 1,18 metro, ante 2,55 metros da mediana. Em Porto Murtinho (MS), alcançou 2,38 metros, enquanto a referência histórica era de 4,48 metros.
No rio Negro, a estação de Manaus registrou 18,80 metros em 30 de setembro, após queda de 5,21 metros no mês. O nível estava 1,72 metro abaixo da mediana histórica, mas permanecia acima dos 13,14 metros registrados na mesma data de 2024. Já no Solimões, os níveis de Tabatinga e Coari permaneciam acima da mediana histórica. Em Tabatinga, o rio chegou a 3,47 metros e apresentou elevação de 41 centímetros na última semana de setembro.
Governo mantém contratos de dragagem
O MPor informou que mantém contratos de dragagem de manutenção nos rios Madeira, Amazonas, Solimões e Paraguai para melhorar as condições de navegabilidade e garantir a continuidade do transporte de passageiros, cargas e insumos.
“Como se trata de dragagem de manutenção, não há aprofundamento do leito, mas apenas desassoreamento de alguns trechos que podem afetar a navegação. Desta forma, há segurança e autorização para navegação até que se atinja o nível mínimo, quando, então, avalia-se a necessidade de alívio de carga ou de interrupção das operações de transporte”, informou o ministério.