Rodovias
Segurança no transporte de cargas encarece produtos em 62% das indústrias
Pesquisa da CNI mostra que 20% das empresas sofreram roubo ou furto nos últimos cinco anos; rodovias concentram 68% das ocorrências
Os gastos com segurança no transporte de cargas já impactam o custo final dos produtos em 62% das indústrias brasileiras. É o que revela pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento também apurou que 20% das empresas do setor sofreram roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos. Entre os casos registrados, 68% ocorreram nas rodovias.
Para evitar perdas durante o transporte, o seguro de carga é a principal despesa das empresas. Entre os entrevistados, 62% informaram arcar com esse custo. Na sequência aparecem investimentos em equipamentos de rastreamento e bloqueio (31%), treinamento de motoristas e equipes (21%), terceirização do transporte (7%) e contratação de segurança armada ou escolta (7%).
A terceirização é o modelo mais utilizado para o transporte rodoviário de cargas pelas indústrias. Atualmente, 49% das empresas operam exclusivamente com frota de transportadoras, enquanto 19% trabalham apenas com frota própria e 26% adotam modelo misto.
Além dos gastos diretamente ligados ao transporte, a percepção de que a insegurança eleva os custos das operações é amplamente compartilhada pelo setor. Para 81% dos empresários, a violência e a necessidade de proteção de ativos contribuem para elevar o chamado Custo Brasil.
O estudo mostra ainda que 45% das empresas consideram que os investimentos gerais em segurança encarecem o custo final dos produtos. Já 32% dos empresários avaliam que os impactos da insegurança sobre a competitividade dos negócios são altos ou muito altos.
Entre as empresas que registraram ocorrências, as rodovias lideram os locais de incidência, concentrando 68% dos casos. Áreas urbanas aparecem em seguida, com 48%, enquanto armazéns e terminais de carga somam 21%. Postos de combustíveis foram citados por 16% das empresas.
A pesquisa aponta ainda crescimento dos investimentos em segurança nos últimos cinco anos. Quatro em cada dez indústrias relataram aumento nesses gastos no período. Para 5% dos entrevistados, os custos cresceram muito, enquanto 33% disseram que cresceram. A maior parte das empresas (59%) afirmou que as despesas permaneceram estáveis.
Para o assessor especial da presidência da CNI, Cassio Borges, os resultados do levantamento mostram que os reflexos da insegurança constituem mais um elemento que agrava o Custo Brasil, na medida em que elevam os custos operacionais e exigem medidas relacionadas à infraestrutura e à logística. “O investimento nessas áreas é considerado essencial para proteger vidas e ativos, além de evitar prejuízos operacionais e reputacionais”, afirmou.