Nacional
Setor cafeeiro tenta evitar sobretaxa nos EUA e alerta para impacto nos preços
Segundo o Cecafé, a entidade seguirá em articulaçãopara tentar incluir o café brasileiro entre os produtos liberados da tarifa
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) tenta reverter a inclusão do café na lista de produtos brasileiros que serão alvo da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A medida foi oficializada na quarta-feira (30) por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
A lista de exceções anunciada por Washington inclui cerca de 700 itens, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis — com motores, peças e componentes. O café, no entanto, não está entre os produtos isentos da sobretaxa.
Segundo o Cecafé, a entidade seguirá em articulação com representantes norte-americanos do setor, especialmente a National Coffee Association (NCA), para tentar incluir o café brasileiro entre os produtos liberados da tarifa. A avaliação é de que a medida pode gerar efeitos adversos não só para o Brasil, mas também para o consumidor americano.
LEIA TAMBÉM: Quase metade das exportações do Brasil aos EUA escapa de tarifa de Trump
“O ato implicará elevação desmedida de preços e inflação, uma vez que esses tributos serão repassados à população americana no ato da compra”, afirmaram em nota o presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, Márcio Ferreira, e o diretor-geral da entidade, Marcos Matos.
O Brasil é o principal fornecedor de café para os Estados Unidos, respondendo por mais de 30% do consumo norte-americano, segundo o Cecafé. Em sentido inverso, o mercado norte-americano representa 16% das exportações brasileiras do grão.
“O café também é de suma relevância aos Estados Unidos, haja vista que 76% do povo norte-americano consome a bebida; a população gasta cerca de US$ 110 bilhões em café e itens relacionados (US$ 301 milhões por dia) ao ano”, destacaram os representantes da entidade.
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) também se manifestou contra a medida, alertando para o impacto sobre o segmento de cafés de qualidade. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de cafés especiais, com cerca de 2 milhões de sacas vendidas por ano e receita superior a US$ 550 milhões.