Centro-Oeste Export
Setor privado amplia investimento em soluções multimodais para agro no Centro-Oeste
Empresas investem em armazenagem próxima às lavouras e transporte ferroviário para reduzir custos e aliviar rodovias da região
A aproximação dos estoques de insumos das áreas produtoras e a ampliação do transporte ferroviário de cargas estão entre as estratégias adotadas por operadores logísticos para reduzir custos no Centro-Oeste. Durante o Centro-Oeste Export 2026, fórum regional de logística, transportes, energia e mineração promovido pelo Grupo Brasil Export, ocorrido nesta quinta-feira (23), em Rio Verde (GO), a Bravo Serviços Logísticos e a Brado apresentaram seus planos de investimentos e expansão voltados à integração entre rodovias, ferrovias e centros de distribuição.
A Bravo investiu cerca de R$ 100 milhões, desde 2022, em sua unidade de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Com mais de 44 mil posições pallets, o centro de distribuição armazena fertilizantes, defensivos e outros produtos utilizados nas lavouras.
Segundo o CEO da empresa, Marcos Vilela, a estrutura permite que as indústrias antecipem o deslocamento dos insumos e mantenham os estoques próximos aos produtores. A estratégia reduz o tempo de resposta diante de mudanças nas chuvas, pragas ou alterações no calendário de plantio.
“O intuito é proporcionar eficiência logística para que os insumos cheguem ao sudoeste goiano com o menor custo e no tempo exato da necessidade”, afirmou.
Enquanto a Bravo atua principalmente no fluxo de entrada dos produtos agrícolas, a Brado busca ampliar o transporte multimodal de cargas produzidas na região. Mato Grosso responde atualmente por 53% do volume operacional da companhia, enquanto o corredor do Paraná representa cerca de 40%. Os 7% restantes estão ligados às operações do corredor que liga São Paulo, Goiás e Maranhão.
A empresa pretende aumentar essa participação a partir do terminal de Anápolis e replicar no estado o modelo desenvolvido em Rondonópolis. A Brado possui mais de dois mil vagões, 4,7 mil contêineres e 33 locomotivas, além de realizar os trechos rodoviários de coleta e entrega.
“Nosso desafio em Goiás é desenvolver mercados que demandem a conteinerização, seja para o Porto de Santos ou para o mercado doméstico. Queremos replicar o sucesso operacional alcançado no Mato Grosso”, declarou o diretor comercial da Brado, Daniel Salcedo.
A operação combina caminhões nos trajetos iniciais e finais com a ferrovia nas viagens de longa distância, modelo definido pelo executivo como uma espécie de “cabotagem terrestre”. Entre as cargas atendidas estão algodão, farelo de soja, DDG, madeira, proteína animal e produtos industriais.
Os investimentos ocorrem em um cenário de elevada concentração do transporte nas estradas. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentados durante o painel indicam que mais de 144 milhões de toneladas circularam pelas rodovias do Centro-Oeste no primeiro semestre, em mais de cinco milhões de viagens.