Região Nordeste
Suape firma acordo com IFPE para pesquisas sobre mudanças climáticas
Parceria de dois anos vai instalar laboratórios a céu aberto no complexo portuário e incluir jovens mulheres na produção científica
O Complexo Industrial Portuário de Suape e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) assinaram, nesta quarta-feira (3), um Acordo de Cooperação Técnica com foco no desenvolvimento sustentável e na produção de conhecimento científico voltado ao clima. A assinatura aconteceu durante a Semana do Meio Ambiente Suape 2026 e marca o início de uma parceria de dois anos entre as instituições, a primeira do gênero firmada pelo complexo portuário com uma instituição federal de ensino.
O projeto central da cooperação prevê a geração de dados, tecnologias e estratégias de manejo para o enfrentamento das mudanças climáticas na Zona da Mata e nos ambientes costeiros de Pernambuco. Para isso, serão instaladas nove parcelas permanentes em áreas de restauração florestal dentro do território de Suape, onde pesquisadores e estudantes do IFPE conduzirão estudos ecológicos de longa duração.
Cada parcela abrangerá condições distintas de solo: áreas de solo exposto, vegetação em regeneração e formações florestais nativas, de modo a permitir comparações sobre a evolução dos ecossistemas ao longo do tempo. As análises ainda incluem monitoramento de solo, acompanhamento do desenvolvimento da vegetação e medições de fluxos de gases de efeito estufa, com ênfase em sequestro de carbono e recuperação ecológica.
Os dados coletados formarão uma base científica capaz de orientar políticas de adaptação climática não só para Suape, mas para outras áreas industriais e portuárias do país.
O diretor-presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto, afirmou que a iniciativa posiciona Suape como referência nacional na conciliação entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico.
“Ao disponibilizar áreas de preservação para pesquisa, Suape consolida-se como um campo de produção de conhecimento voltado ao enfrentamento das mudanças climáticas. As estratégias geradas poderão servir de referência para outras áreas industriais e portuárias do país, conciliando conservação ambiental e desenvolvimento econômico”, ressalta o diretor-presidente.
EDUCAÇÃO
Além da pesquisa ambiental, o acordo tem uma dimensão educacional voltada para meninas e jovens mulheres nas áreas de ciências exatas, engenharias, tecnologias e ciências ambientais. Essa frente será desenvolvida em parceria com o projeto Meninas nas Exatas, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e dará às participantes acesso a campanhas de campo, experimentos em casas de vegetação, análises laboratoriais e pesquisas científicas.
A iniciativa responde a um déficit histórico de representação feminina nas chamadas áreas STEM — sigla em inglês para ciências, tecnologias, engenharias e matemática. Ao integrar pesquisa de campo e formação científica, o projeto cria um caminho concreto para que jovens mulheres de Pernambuco participem da produção de conhecimento sobre o tema mais urgente do século.
O diretor de Sustentabilidade e Inovação de Suape, Sóstenes Alcoforado, destacou que a cooperação faz parte de uma estratégia mais ampla de preparação para a transição energética e para uma economia de baixo carbono, associando conservação ambiental à produção científica.
MEIO AMBIENTE
A programação da semana teve início na terça-feira (2) com uma trilha de 3,3 quilômetros pelo Parque Metropolitano Armando de Holanda Cavalcanti, no Cabo de Santo Agostinho. A caminhada reuniu colaboradores em sete paradas que incluíram pontos históricos e naturais da região, como a Igreja de Nazaré, a Casa do Faroleiro, o Quartel Velho, o Forte Castelo do Mar e mirantes do litoral sul pernambucano.
Com 270 hectares, o parque é um dos principais patrimônios ambientais e históricos da área de influência de Suape.
O Dia Internacional do Meio Ambiente é celebrado em 5 de junho.