Infraestrutura
Submarino da Marinha tem entrega prevista para 2027 após testes
Construído em Itaguaí (RJ), o Almirante Karam é o quarto da Classe Riachuelo e integra programa de transferência de tecnologia e desenvolvimento da indústria naval brasileira
O submarino Almirante Karam (S43), construído em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, concluiu a primeira imersão estática e avançou para novas etapas de testes antes da incorporação à Marinha do Brasil, prevista para o segundo semestre de 2027. A embarcação é a quarta da Classe Riachuelo e integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), iniciativa estratégica voltada à ampliação da capacidade de defesa naval e ao desenvolvimento tecnológico nacional.
O procedimento foi realizado na região marítima de Itacuruçá, próxima ao Complexo Naval de Itaguaí, e divulgado pela Marinha em setembro. A etapa avaliou a estanqueidade do casco, o funcionamento dos sistemas de bordo e o comportamento da embarcação na água, incluindo parâmetros de equilíbrio, estabilidade, peso e inclinação.
Com a conclusão dessa fase, o submarino seguirá para avaliações mais complexas, que incluem navegação na superfície, imersão dinâmica e testes de desempenho dos sistemas embarcados.
“Para a tripulação, acompanhar a imersão estática é um momento muito importante. É quando passamos a conhecer, na prática, o comportamento do submarino na água. Os dados obtidos nesta etapa aumentam a nossa familiaridade com o meio e contribuem para a preparação dos próximos testes”, afirmou o comandante da embarcação, Capitão de Fragata Leandro Amaral.
A construção do Almirante Karam é realizada pela Itaguaí Construções Navais (ICN), no âmbito do Prosub, desenvolvido a partir de uma parceria estratégica entre Brasil e França. O programa prevê transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e consolidação de uma estrutura industrial especializada no país.
Baseada no projeto francês Scorpène e adaptada às necessidades brasileiras, a Classe Riachuelo inclui os submarinos Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42), já incorporados à Marinha. O Karam é o quarto da série e ainda passa pelas avaliações que antecedem sua entrada em operação.
Além da construção das embarcações, o programa envolve diferentes áreas da indústria, como metalurgia, eletrônica, engenharia, comunicação, navegação e sistemas de detecção. A manutenção dessas competências no país contribui para ampliar a autonomia tecnológica e a capacidade nacional de construir e manter equipamentos militares complexos.
Para o diretor-presidente da ICN, Pierre Edouard Gille, a primeira imersão estática representa um marco na construção do submarino e na integração dos sistemas da embarcação.
Próxima etapa
O Prosub também contempla o desenvolvimento do submarino brasileiro com propulsão nuclear, o Álvaro Alberto, que terá armamento convencional. O projeto representa uma etapa tecnológica distinta da construção dos submarinos convencionais da Classe Riachuelo.
A iniciativa está relacionada à estratégia brasileira de ampliar a capacidade de proteger seus interesses marítimos, considerando a extensão da costa nacional e a importância econômica das rotas de navegação, do comércio exterior e dos recursos naturais offshore.