sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
BE News
  • Editorias
    • Nacional
    • Região Norte
    • Região Nordeste
    • Região Centro-Oeste
    • Região Sudeste
    • Região Sul
    • Internacional
    • Portugal
    • Expediente
  • Últimas Notícias
  • Colunas
    • HUB
    • BE Job
    • Mundo Corporativo
    • tecnologia & inovação
    • Espaço Abtra
    • Estilo BE
    • Vitrine
  • Opiniões
Olá,
Jornal BE News - Edição de Hoje

Portos

TCU suspende contrato de condomínio logístico no Porto de Santos

Atualizado em: 13 de agosto de 2026 às 17:43
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Medida não anula a licitação nem o contrato, mas impede a APS de praticar novos atos enquanto o tribunal analisa o caso

O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou a suspensão do contrato para implantação de um condomínio logístico em uma área de 242 mil metros quadrados no Porto de Santos. O empreendimento, localizado na região do Saboó, foi vencido pelo Consórcio Portolog SPE, que tem entre seus sócios integrantes da família de Bruno Dantas, também ministro do TCU.

A decisão foi tomada na noite desta quarta-feira (12) e confirmada por assessores de Nardes. A medida não anula a licitação nem o contrato, mas impede a Autoridade Portuária de Santos (APS) de praticar novos atos relacionados ao edital enquanto o tribunal analisa o caso.

O contrato tem prazo de 20 anos e valor estimado em R$ 1,06 bilhão. A APS e o Consórcio Portolog terão 15 dias para apresentar explicações ao TCU. Nardes também comunicou à empresa que existe a possibilidade de anulação da licitação e do contrato.

Bruno Dantas declarou impedimento para participar do julgamento do processo. O caso deverá ser analisado pelo plenário do TCU.

Questionamentos sobre a área

A principal questão analisada pelo tribunal envolve a forma escolhida pela APS para conceder a área à iniciativa privada.

O terreno está previsto no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos para atividades de movimentação e armazenagem de carga geral e contêineres. O documento foi aprovado em 2020.

A APS, porém, classificou a área como não afeta à operação portuária e optou por uma modalidade chamada “cessão onerosa de uso”, considerada mais simples do que o processo de arrendamento de uma área portuária.

O projeto prevê a instalação de um condomínio logístico destinado ao armazenamento de cargas e à organização do fluxo de caminhões. Segundo a APS, o empreendimento ficará antes dos terminais portuários e não terá berços nem realizará operações de transferência de cargas entre navios e terra.

O TCU questiona se essa classificação da área está de acordo com o planejamento oficial do Porto de Santos.

Segundo o tribunal, o Ministério de Portos e Aeroportos concluiu que o terreno é ligado à operação portuária nos horizontes previstos pelo PDZ. O ministério também informou que não houve pedido administrativo para alterar formalmente o zoneamento da área.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) também teria identificado um conflito entre a utilização prevista no PDZ e a justificativa adotada pela APS.

Para Nardes, essas conclusões levantam dúvidas sobre a continuidade do contrato.

Licitação

O edital para a exploração da área foi publicado em outubro de 2025 e estabeleceu menos de 25 dias úteis para que os interessados analisassem os documentos, realizassem estudos e apresentassem propostas.

Após a desqualificação de uma das empresas interessadas, a Portolog apresentou a única proposta considerada válida e venceu a disputa.

A área técnica do TCU apontou que o procedimento simplificado utilizado pela APS pode ter dispensado etapas e estudos exigidos em processos de arrendamento. Para os técnicos, isso pode representar um possível “desvio de finalidade”.

A licitação também foi alvo de questionamentos na Justiça. Em junho, uma decisão judicial suspendeu o negócio. Antes disso, em 7 de maio, a Justiça Federal havia derrubado uma liminar que impedia o andamento da licitação. Em 14 de maio, a APS homologou a vitória da Portolog. Em 16 de junho, porém, a Justiça voltou a suspender o processo.

Nardes afirmou que a existência da discussão judicial não impede a atuação do TCU. Segundo o ministro, embora a liminar esteja em vigor, ela é “precária” e pode ser modificada por decisão judicial.

Próximos passos

A suspensão determinada pelo TCU é cautelar e não significa, neste momento, que a licitação ou o contrato foram anulados. A APS e a Portolog terão 15 dias para apresentar suas manifestações. O Ministério de Portos e Aeroportos e a autoridade portuária também poderão apresentar informações sobre eventuais impactos de uma possível anulação e indicar medidas para corrigir os problemas apontados pelo tribunal.

A APS afirmou que o empreendimento é, em essência, uma plataforma de suporte logístico terrestre voltada à organização do fluxo de caminhões e não à operação direta do porto. A autoridade portuária também declarou que considera regulares os atos praticados e que mantém seu compromisso com a segurança jurídica, a transparência e o interesse público.

Relação com Bruno Dantas

O processo também ganhou repercussão por envolver uma empresa ligada à família de Bruno Dantas, ministro do próprio TCU.

De acordo com informações divulgadas pelo UOL, entre os sócios da empresa líder do grupo vencedor estão o sogro de Dantas, João Carlos Freitas de Camargo; sua mulher, Camila Funaro Camargo Dantas; e o cunhado, João Pedro Camargo.

Dantas declarou impedimento para participar da análise do processo.

O ministro também foi responsável por um voto revisor em processo relacionado ao leilão do Tecon Santos 10, terminal de contêineres previsto para ser instalado próximo à área do condomínio logístico.

A oposição havia pedido o impedimento de Dantas no caso, mas o pedido não foi acolhido por Nardes. Posteriormente, o próprio ministro declarou-se impedido.

Dantas, a Portolog e os integrantes da família Camargo informaram que não comentariam o caso.

 

Compartilhe:
TAGS Bruno Dantas condomínio logístico PORTO DE SANTOS
Baixe nosso aplicativo!
Disponível no Google Play Disponível na Apple Store
Código de Compliance Política de Privacidade Termos de Uso
BE News
Instagram
Facebook
Linkedin
Youtube
Telegram
© 2025 BE News | O conteúdo do Portal BE News é protegido por lei. Qualquer reprodução (total ou parcial), sem a prévia autorização, é proibida.
Desenvolvido por: Logo Mosten