Portos
Terminal da Eldorado bate recorde em Santos, mas calado trava avanço
Unidade completa três anos com aportes acumulados de até R$ 700 milhões e recorde de 29,6 mil toneladas de celulose embarcadas em um dia; calado, porém, ainda limita ações em Santos
O terminal da Eldorado Brasil Celulose no Porto de Santos prevê investir entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões por ano na automação da descarga ferroviária e em melhorias na infraestrutura do berço. A unidade completa três anos nesta sexta-feira (31), após acumular entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões em aportes desde sua implantação e atingir um recorde de 29,6 mil toneladas de celulose embarcadas em um único dia.
Os dados foram apresentados pelo diretor de Logística do EBLog da Eldorado Brasil Celulose, Flávio da Rocha Costa. Segundo ele, o investimento inicial no terminal foi de aproximadamente R$ 550 milhões, somado posteriormente a novos aportes em equipamentos, infraestrutura e adaptações operacionais.
“Até o momento, devemos ter investido próximo de R$ 600 milhões ou R$ 700 milhões, contando desde a inauguração. A ideia é que a gente continue com investimentos entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões por ano para manter essa qualidade”, afirmou.
Os próximos recursos devem ser direcionados principalmente à automação da descarga de vagões e à reestruturação do berço utilizado pelo terminal. As intervenções incluem pavimentação, nivelamento das áreas operacionais e substituição de defensas e cabeços de amarração.
A empresa também avalia a instalação de sensores capazes de medir a força exercida pelos navios durante a atracação. A tecnologia permitiria ajustar as manobras em conjunto com os práticos e reduzir o desgaste das defensas, ampliando a vida útil dos equipamentos.
Na operação ferroviária, o planejamento prevê a adoção inicial de um sistema semiautomatizado, responsável por retirar os fardos de celulose dos vagões e posicioná-los na área de armazenagem, reduzindo a intervenção humana. Em uma etapa posterior, o processo poderá se tornar totalmente automatizado.
O terminal recebe composições completas, com até 72 vagões, e conta com quatro linhas ferroviárias internas. A estrutura também possui dois berços, o que permite a atracação simultânea de dois navios.
“Todos esses processos de repetição estamos tentando minimizar para tornar a operação mais fácil para o operador”, explicou Costa.
Recorde operacional e ganho de produtividade
Em abril, o terminal registrou seu maior volume diário desde o início das operações, com o embarque de 29,6 mil toneladas de celulose. Antes da implantação da unidade, quando a operação era realizada em áreas distantes dos berços, o volume variava entre 12 mil e 13 mil toneladas por dia.
Com a entrada em operação do terminal, a produtividade média subiu inicialmente para cerca de 16 mil toneladas e atualmente se aproxima de 20 mil toneladas diárias. A meta da companhia é consolidar esse patamar antes de avançar para novos níveis. “Hoje, já estamos na casa das 20 mil toneladas. É um grande avanço para a gente, mas não vamos parar por aí. Assim que estivermos bem estabilizados entre 19 mil e 20 mil, vamos aumentando um pouco mais”, declarou.
Segundo o diretor, o recorde registrado em abril foi resultado de uma combinação de fatores, como planejamento de estoque, disponibilidade de carga, características adequadas da embarcação e organização da operação. “Para fazer 29 mil toneladas, os astros têm que estar todos alinhados. Tínhamos um volume adequado, um navio perfeito para a operação e o estoque muito bem posicionado dentro do terminal”, disse.
A marca passou a ser utilizada como referência para identificar práticas que possam ser replicadas em outras operações. A empresa também busca reduzir o tempo de permanência dos navios atracados, já que a paralisação de uma embarcação pode gerar custos superiores a US$ 25 mil por dia.
O terminal tem capacidade instalada para movimentar até 3 milhões de toneladas de celulose por ano, mas atualmente opera com cerca de 1 milhão de toneladas. Segundo Costa, a ampliação da produtividade dependerá não apenas da automação e das melhorias estruturais, mas também da disponibilidade de espaço para armazenagem.
“Por mais que eu tenha muita produtividade na descarga e no embarque, a limitação acaba sendo o espaço que tenho para armazenar carga”, afirmou.
A unidade foi implantada após um processo de cerca de dez anos para garantir uma área própria próxima aos berços. Antes disso, parte da celulose precisava percorrer vários quilômetros por caminhão dentro do porto até chegar aos navios.
Para o diretor, a proximidade entre ferrovia, armazém e cais foi determinante para o salto operacional. “Quando inauguramos o terminal, brincávamos que saímos do parquinho de diversões e fomos para a Disneylândia”, afirmou.

O EBLog é um dos terminais mais modernos do mundo e fica na região portuária santista. (Foto: divulgação)
Calado ainda limita operações no porto
Apesar dos avanços, a profundidade do canal de navegação e dos berços do Porto de Santos ainda restringe a operação de navios maiores. Atualmente, o berço utilizado pela Eldorado atende embarcações com cerca de 50 mil toneladas, enquanto o mercado já opera com navios de até 80 mil toneladas e desenvolve modelos de até 90 mil toneladas.
“Hoje, o nosso berço atende um navio com volume de aproximadamente 50 mil toneladas. Já existem navios de celulose de 80 mil toneladas e estão sendo fabricados navios de 90 mil. Eu já não consigo atracar uma embarcação dessas no nosso berço”, afirmou Flávio Rocha.
A limitação não é exclusiva da Eldorado. Segundo o executivo, outros terminais de celulose na mesma região também enfrentam a mesma restrição.
Navios maiores permitem transportar mais carga por viagem e reduzir o custo por tonelada, mas, sem profundidade adequada, os terminais precisam operar com embarcações menores ou com capacidade reduzida.
“Não tenho dúvida de que o passo mais importante hoje é o aprofundamento do canal”, declarou.
Além do acesso marítimo, Costa destacou a infraestrutura rodoviária como outro ponto de atenção. Apesar da predominância do transporte ferroviário, parte da operação ainda depende de caminhões.
Na avaliação do diretor, o aumento da movimentação portuária exige melhorias nos acessos internos, nas entradas do porto e na ligação entre a Baixada Santista e o Planalto Paulista.
“A gente fica preocupado quando aumenta o volume e o porto se torna mais produtivo. A entrada dos caminhões na cidade e no porto é uma questão que não pode sair do radar”, afirmou.
Entre os desafios internos, ele citou as condições das vias na região da Alemoa, que ainda apresentam problemas estruturais e necessidade de reorganização do fluxo.
O executivo também destacou a importância de viadutos para separar o tráfego de caminhões e veículos leves, além de defender o avanço da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes.
“A terceira via da Imigrantes dará mais capacidade para os caminhões acessarem o porto e retornarem para São Paulo. São necessárias melhorias em todas essas frentes”, disse.
Costa afirmou que acompanha as obras conduzidas pela Autoridade Portuária de Santos, os processos de contratação de dragagem e os estudos para ampliação da capacidade viária.
Para ele, os projetos estão em andamento, mas o setor privado precisa seguir monitorando os cronogramas para evitar atrasos.
“Tudo vem acontecendo. O negócio é acompanhar para não deixar atrasar e para que não apareça nenhum obstáculo inesperado”, concluiu.
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