Portos
Transformadores de 300 toneladas desafiam logística do Porto do Itaqui
Equipamentos serão transportados em carretas especiais e servirão para linha de transmissão de 1.468 quilômetros que ligará Maranhão a Goiás
O transporte de transformadores de ultra-alta tensão, com peso superior a 300 toneladas, mobiliza uma operação logística especial no Porto do Itaqui, no Maranhão. Destinados a uma linha de transmissão de energia de R$ 18,1 bilhões, os equipamentos foram desembarcados no terminal portuário e seguem em carretas especiais, com velocidade limitada a 7 ou 8 km/h devido ao peso e às dimensões das cargas.
A operação, iniciada em 18 de agosto, prevê o recebimento de 12 navios, com média de uma embarcação por mês e aproximadamente quatro transformadores por viagem. O trabalho é coordenado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), em parceria com a operadora portuária NML. Até agora, dois navios concluíram o desembarque.
Após a retirada do navio, os transformadores seguem para a área A-18, em Pedreiras, a cerca de 276 quilômetros de São Luís. No local, as peças são preparadas e acopladas às carretas especiais para continuar o percurso rodoviário até a região de Graça Aranha, onde está prevista uma das estações conversoras do empreendimento.
A restrição de velocidade e o tempo necessário para preparar e transportar cada equipamento influenciam diretamente o planejamento portuário. Por isso, o intervalo entre as embarcações foi organizado de forma a permitir a retirada das cargas recebidas antes da chegada dos próximos navios.
Para a presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Oquerlina Costa, a movimentação demonstra a capacidade do Itaqui para atender a operações de grande complexidade, que exigem estrutura e coordenação desde o desembarque até o transporte terrestre.
Linha de transmissão terá 1.468 quilômetros
Os transformadores serão instalados nas estações conversoras de Graça Aranha, no Maranhão, e Silvânia, em Goiás. As estruturas integram o sistema de transmissão de 1.468 quilômetros, que atravessará também o Tocantins e será operado em corrente contínua de ultra-alta tensão, de ±800 quilovolts (kV).
O empreendimento é da estatal chinesa State Grid, integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e tem investimento estimado em R$ 18,1 bilhões. A infraestrutura foi planejada para ampliar o transporte de energia renovável produzida no Norte e no Nordeste para outras regiões do Sistema Interligado Nacional, incluindo Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o sistema terá capacidade nominal de 5 gigawatts (GW) e poderá escoar até 4.000 megawatts (MW) em operação contínua. Esses valores correspondem à capacidade do conjunto de transmissão, não à dos transformadores movimentados pelo porto.
Além da linha e das estações conversoras, o projeto inclui instalações associadas e conexões necessárias à integração com a rede elétrica existente. A previsão para a conclusão do empreendimento é março de 2030.