Sustentabilidade
Usina do Pecém testa biocarvão de casca de coco na geração de energia
Projeto financiado pela Aneel recebeu R$ 2,7 milhões e avalia o uso de biomassa regional misturada ao carvão mineral
A Diamante Energia realizou o primeiro teste industrial com biocarvão produzido a partir da casca do coco na usina termelétrica do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE). O ensaio ocorreu no último dia 14, na caldeira da Unidade Geradora 1, de 360 megawatts (MW), com a queima de uma mistura de carvão mineral e biocarvão. A iniciativa busca avaliar o potencial de utilização de resíduos da biomassa regional na geração de energia elétrica.
O teste utilizou aproximadamente 150 toneladas de combustível, sendo 148,5 toneladas de carvão mineral e 1,5 tonelada de biocarvão, equivalente a 1% da mistura em massa. A operação permitiu coletar dados sobre moagem, estabilidade da combustão, geração de cinzas e emissões, que serão utilizados para avaliar o desempenho do novo combustível em condições industriais.
O projeto começou em 2024 e recebe R$ 2,7 milhões do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desde o início dos trabalhos, foram processadas cerca de 13,2 mil cascas de coco, equivalentes a 20 toneladas de biomassa.

Adoção em escala comercial dependerá do desempenho do biocarvão. Foto: divulgação/Pecém
Nos ensaios laboratoriais, o biocarvão apresentou poder calorífico superior ao do carvão mineral utilizado na usina. O teor de enxofre também foi mais de dez vezes menor. Os resultados, entretanto, ainda não comprovam ganhos ambientais ou econômicos na operação industrial, que dependerão da análise dos dados coletados durante o teste.
A passagem dos testes laboratoriais para a caldeira da termelétrica representa uma nova etapa do projeto. A avaliação em ambiente industrial permitirá observar o comportamento do biocarvão durante a moagem e a combustão, além de verificar aspectos relacionados à estabilidade operacional, às cinzas produzidas e às emissões.
“Agora, em ambiente industrial, poderá ser avaliado de forma prática o desempenho do biocarvão”, afirma a professora e coordenadora do projeto na Universidade Estadual do Ceará (Uece), Mona Lisa Moura de Oliveira.
Além da aplicação na geração elétrica, o projeto pode abrir oportunidades para agregar valor à casca do coco, resíduo que pode ser convertido em biomassa para uso energético. A iniciativa conecta pesquisa e desenvolvimento à busca por alternativas para o aproveitamento de materiais regionais.
O avanço também pode contribuir para a diversificação das fontes de insumos utilizadas pela indústria de energia. No entanto, a adoção em escala comercial dependerá do desempenho do biocarvão, da disponibilidade de matéria-prima, dos custos de processamento e dos resultados dos testes industriais.
A pesquisa integra as iniciativas de desenvolvimento tecnológico voltadas à avaliação de combustíveis alternativos para a geração termelétrica. Com a conclusão das análises, a empresa e os pesquisadores poderão dimensionar o potencial de aplicação da biomassa e os limites técnicos e econômicos para sua utilização na usina do Pecém.
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