Norte-Nordeste
Usinas do Norte e Nordeste apostam no etanol diante de tarifas dos EUA
Até 30 de abril, a moagem de açúcar acumulada nas duas regiões totalizou 55,9 milhões de toneladas, 2% abaixo do mesmo período da safra anterior
A safra 2025/26 de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste do Brasil chega ao fim com uma virada na linha de produção: o etanol superou o açúcar como destino prioritário da matéria-prima. Até 30 de abril, a moagem acumulada nas duas regiões totalizou 55,9 milhões de toneladas — 2% abaixo do mesmo período da safra anterior —, e 55,2% desse volume foi direcionado ao biocombustível. Os números são da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A mudança de rota tem origem em dois movimentos simultâneos. As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro tornaram as exportações menos competitivas e levaram as usinas a redistribuir a cana para a produção de etanol. Ao mesmo tempo, adversidades climáticas durante o ciclo prejudicaram o desenvolvimento dos canaviais, com reflexo direto na qualidade da matéria-prima.
Segundo o estudo, o Açúcar Total Recuperável (ATR) por tonelada de cana caiu 4,9% na comparação anual, e o ATR nos produtos finais recuou 6,8%. A combinação dos dois fatores também pesou sobre o volume total processado, de acordo com o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha.
DADOS
A Região Norte registrou moagem de 6,9 milhões de toneladas, resultado 5,5% inferior ao de um ano antes.
No Nordeste, o processamento chegou a 48,9 milhões de toneladas, com retração de 1,4% na mesma base de comparação. Apesar do recuo no volume, o ritmo de execução da safra ficou próximo do planejado: as duas regiões juntas atingiram 94,7% do volume estimado para a temporada. O Norte chegou a 97% de execução, enquanto o Nordeste avançou a 94,4%.
A fabricação de açúcar somou 3,135 milhões de toneladas até o fim de abril, queda de 15,8% sobre a safra passada. No mesmo período, a produção de etanol — considerando cana e milho — alcançou 3,017 milhões de metros cúbicos, ante 2,239 milhões de metros cúbicos registrados um ano antes, avanço de 34,7%.
No etanol de cana, o anidro chegou a 892,8 mil metros cúbicos, crescimento de 7,9% na comparação anual. O hidratado totalizou 1,392 milhão de metros cúbicos, com recuo de 1,4%. O etanol de milho contribuiu com 732 mil metros cúbicos no período, divididos entre 637,5 mil metros cúbicos de anidro e 94,5 mil de hidratado.
ESTOQUES
Os estoques de etanol também recuaram. O volume armazenado de etanol de cana ficou em 104,6 mil metros cúbicos — 65,9 mil de hidratado e 38,7 mil de anidro. O etanol de milho registrou estoque de 33,3 mil metros cúbicos, sendo 30,5 mil de anidro e 2,8 mil de hidratado.
No consolidado, os estoques totais das duas regiões encerraram abril em 138 mil metros cúbicos, volume 23,89% inferior ao registrado no mesmo período da safra passada.