Sudeste Export
Maricá vive expectativa para início das obras de novo terminal portuário
Projeto voltado à cadeia de petróleo promete ter ZPE, investimentos bilionários e geração massiva de empregos na região
O município de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vive a expectativa para o início das obras do Porto de Jaconé, também chamado de Terminais de Ponta Negra (TPN), que abrigará uma das mais modernas infraestruturas portuárias do Brasil. O futuro terminal foi discutido durante a edição 2025 do Sudeste Export, fórum regional de Logística, Infraestrutura e Transportes, realizado no Rio de Janeiro.
De acordo com o diretor de Gestão e Participação da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), Cristiano Brochier, as questões burocráticas para a viabilização do empreendimento se estenderam pelos últimos 11 anos, mas a expectativa é que as obras comecem ainda neste semestre.
“O porto vai sair, a gente acabou de negociar um memorando de entendimento para que, nos próximos 90 dias, tenhamos toda a documentação pronta. Ao longo do segundo semestre do ano passado, fizemos todas as análises econômicas, análises jurídicas e de compliance, e agora queremos assinar a documentação e iniciar as obras”, revelou.

Considerada a obra de maior impacto no município de Maricá, o futuro terminal portuário irá ocupar uma área de 5,6 milhões de metros quadrados, de acordo com a Prefeitura. Foto: Reprodução
O porto terá vocação para a indústria petrolífera e, no local, será instalada uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). A construção da infraestrutura portuária será feita por etapas, com um investimento bilionário da iniciativa privada.
“É um porto com três etapas, com um investimento total de 2,5 bilhões de dólares. A primeira etapa deve levar três anos para ser concluída, com um investimento de 500 milhões de dólares. A gente acredita que essa primeira etapa, que é basicamente de ship to ship, vai alavancar investimento para as outras duas. Vai poder receber operações de navios de grande porte, assim como navios de pequeno porte, para distribuição de cargas ao longo da costa”, explicou.
Segundo o representante da Codemar, o terminal portuário contará com um calado privilegiado, com profundidade variando entre 24 e 26 metros em alguns pontos.
Considerada a obra de maior impacto no município, o projeto — liderado pela DTA Engenharia Portuária e Ambiental — ocupará uma área de 5,6 milhões de metros quadrados, de acordo com a Prefeitura.
A construção do empreendimento faz parte do planejamento da cidade em investimentos voltados para infraestrutura, com o objetivo principal de acompanhar o crescimento e o desenvolvimento econômico de Maricá.
“Ano passado, a gente realizou R$ 700 milhões em orçamento de investimento na cidade. Então, qual é o maior desafio de Maricá? Hoje, é a infraestrutura. É uma cidade que ficou rica da noite para o dia, mas não tem a infraestrutura necessária. E nosso governo sabe desses desafios e está disposto a fazer com que a Codemar busque participações e negócios com investimento em infraestrutura”, comentou.
Demanda
Conforme o projeto, a expectativa é que as obras do terminal portuário devam gerar cerca de 13 mil empregos diretos e indiretos. Segundo Cristiano, a procura por mão de obra é um gargalo real encontrado pelo governo do município.
“Falando em porto, a gente sabe que um dos gargalos, além da integração logística com rodovias e ferrovias, é a mão de obra qualificada. Pontualmente em uma operação de líquidos, em que se vai trabalhar com sistemas automatizados que vão demandar uma mão de obra altamente especializada”, argumentou.
“Nossa administração está trabalhando justamente para criar condições, dentro de Maricá – com esses empreendimentos, todos esses acordos de treinamento, qualificação, mão de obra local -, para pelo menos garantir um bom percentual de empregabilidade para esses futuros profissionais. Nós vamos investir muito em qualificação porque sabemos que a falta de mão de obra qualificada é um grande gargalo”, finalizou.
O painel do Sudeste Export contou com as participações de Jefferson Martins, diretor do Terminal Portuário de Angra dos Reis (TPAR); Gabriela Campagna, coordenadora de Gestão de Portos e Terminais da Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro; e André Luís Pimenta, secretário de Planejamento e Gestão da Prefeitura de Angra dos Reis.