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Porto de Santos

Setor portuário alerta: Tecon Santos 10 precisa de acesso garantido

9 de setembro de 2025 às 12:50
Leopoldo Figueiredo Enviar e-mail para o Autor

Executivos reforçam que o terminal só cumprirá seu potencial se houver investimentos em infraestrutura e segurança jurídica

O primeiro dia da Missão França 2025, promovida pelo Grupo Brasil Export, começou com um debate sobre o futuro do Porto de Santos (SP) e os desafios para viabilizar o Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres e carga geral cuja licitação está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). No painel “O leilão do Tecon Santos 10 e o futuro da competitividade do Porto de Santos”, realizado na segunda-feira (8), em Paris, representantes de terminais portuários defenderam que o projeto é determinante para o aumento da capacidade operacional do porto, mas alertaram que ele não será suficiente se não houver soluções para gargalos logísticos. Em especial os acessos rodoviário, ferroviário e aquaviário.

Luciana Guerise, gerente sênior da DP World, afirmou que o setor aguarda com atenção o julgamento do TCU sobre o modelo da concessão, especialmente no que se refere às regras de participação de empresas que já atuam no Porto de Santos. “Esse debate é importante porque a decisão ainda virá do colegiado do TCU. O que está acontecendo é uma análise técnica muito bem apurada. Quando nós recebemos a decisão da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), nós respeitamos, embora não tenhamos concordado à época. Desinvestimento para TUP é algo muito mais complicado do que para concessão. Então, esse critério de desinvestimento para TUP é complicado e deveria ser feito de outra forma”, disse.

Para Luciana, além da segurança jurídica, é fundamental que o projeto avance em soluções de infraestrutura que garantam a plena utilização da capacidade instalada. “Hoje se fala muito em terceira via, e não só a terceira via do Sistema Anchieta-Imigrantes”, disse referindo-se ao projeto de uma terceira pista ligando a Grande São Paulo ao Porto de Santos.

“Tenho para mim que não é só a terceira via, como também a quarta. O estado pode construir a terceira e a quarta via enquanto se constrói o terminal. A gente sabe que leva tempo. E a mesma coisa para o canal de navegação. A autoridade portuária que draga o canal a -16 (metros) tranquilamente dragará um canal a -17”, declarou, lembrando que estudos técnicos indicam que, sem esses investimentos, o terminal não alcançará a capacidade projetada.

Restrições

Eliezer Giroux, gerente de Relações Internacionais e Governamentais no Brasil da Terminal Investment Limited (TiL), reforçou que as restrições à participação de operadores incumbentes preocupam o investidor internacional. “Quando uma agência reguladora, que foi criada com o principal dever de atrair investidor, toma uma posição de restringir, isso cria uma dúvida muito grande para o investidor. E não é só no setor de infraestrutura. Isso acaba repercutindo em outros setores. É uma mudança de rumo de um país que tem dentro de suas premissas a liberdade econômica, a liberdade de empreender”, afirmou.

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