Em seminário do Brasil Export, Ricardo Alban alerta para cenário global de protecionismo e pede ações para destravar investimentos e garantir competitividade
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o Brasil precisa avançar na modernização de sua infraestrutura, ampliar acordos bilaterais e adotar uma política industrial consistente, capaz de sustentar o crescimento econômico no longo prazo. Ele participou, na quarta-feira (10), do seminário “Ações para potencializar a competitividade do Brasil e ampliar o protagonismo no mercado internacional”, promovido pelo Fórum Brasil Export em Paris, como parte da Missão França 2025.
Segundo Alban, o comércio exterior está no centro de uma reconfiguração global marcada por políticas protecionistas e revisões de acordos bilaterais e multilaterais. Ele alertou que o movimento iniciado pelos Estados Unidos, ao elevar tarifas e proteger sua indústria, tende a se espalhar por outras economias. “Não é apenas uma decisão do presidente americano, mas uma estratégia de proteção da economia e da produção local. Esse comportamento tende a se tornar uma pandemia econômica”, disse.
O presidente da CNI relatou que, em recentes reuniões em Washington, o setor produtivo brasileiro levou propostas para destravar negociações, como projetos voltados a data centers, minerais críticos e produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Segundo ele, o Brasil tem vantagem competitiva para atrair investimentos nessas áreas por dispor de energia limpa e abundante. “Podemos transformar fontes intermitentes em energia firme, desenvolver super-baterias e agregar valor às reservas minerais. Também podemos liderar a produção de SAF a partir do etanol, atendendo à demanda crescente das companhias aéreas”, afirmou.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de uma política industrial de longo prazo, comparável à que consolidou o agronegócio brasileiro como potência global. “Desde a ditadura militar não temos política industrial consistente.
Chegamos ao absurdo de extinguir o Ministério da Indústria e Comércio. Agora voltamos a ter uma política, mas os recursos ainda são insuficientes. Precisamos garantir que ela se torne política de Estado”, defendeu.
Ao final, o dirigente defendeu que o setor produtivo dê exemplo de compromisso com o país, atuando de forma colaborativa para destravar reformas estruturais, como a administrativa e a da Previdência.
O Brasil Export anunciou, ao final do encontro, que a CNI passará a integrar o colegiado de entidades do setor. Alban também confirmou presença no fórum nacional Brasil Export, que será realizado de 28 a 30 de outubro, em Brasília (DF).