Marcello Di Gregório diz que infraestrutura precária causa custos logísticos e resulta em produtos elevados aos consumidores brasileiros
O diretor-geral da Super Terminais, Marcello Di Gregório, defendeu o projeto que prevê a concessão das hidrovias do Amazonas e cobrou ações do governo em meio às incertezas acerca do processo. Segundo o executivo, a falta de infraestrutura no transporte fluvial da região acarretou em custos logísticos e produtos elevados para o consumidor brasileiro.
O tema foi abordado durante um dos painéis técnicos do Norte Export, fórum promovido pelo Grupo Brasil Export, realizado nesta quinta-feira (19), em Manaus.
O projeto envolve a concessão das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, ambos na região Amazônica. Criada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, a carteira de concessões hidroviárias visa garantir a privatização para serviços de dragagem, otimizando a movimentação de cargas pelas hidrovias, que se apresentam como modal com menos custo e reforça o papel da sustentabilidade.
No entanto, o Governo Federal suspendeu o decreto que autorizava a concessão em fevereiro de 2026. O movimento foi em resposta aos protestos de povos indígenas e movimentos sociais, que demonstraram preocupação com o projeto.
A região, especialmente pela Zona Franca de Manaus, é conhecida pela intensa capacidade de produção de produtos que, posteriormente, são deslocados para diversos estados brasileiros e também para exportação.
Di Gregório, responsável por um dos principais terminais portuários do Arco Norte, afirmou que a concessão das hidrovias representa uma insegurança logística para quem opera cargas, não somente no Amazonas, mas em toda região.
“Nós viemos de alguns anos com grandes problemas com a seca, principalmente em 2023, e também em 2024. Sabemos que de outubro a dezembro, operamos navios que vem com aproximadamente 60% a 70% da sua capacidade. Precisamos de um poder público que trabalhe a favor do empresariado, que trabalhe em favor da região norte. Sabemos que há muitos desafios aqui. Então, se não vão nos conectar por ferrovias, ou pelo meio terrestres, vamos investir no transporte fluvial”, comentou.
O executivo declarou que a não continuidade do projeto da concessão das hidrovias do Amazonas, vai prejudicar diretamente os consumidores diretos.
“A gente fala de ar-condicionado, aparelhos de televisão, motocicletas, monitores, todos são produzidos aqui. E essa concessão precisa sair, porque se não sair, as pessoas vão continuar pagando o ar-condicionado mais caro, pagando motocicletas mais caras”, disse.
O executivo revelou que os impactos climáticos causados pela seca resultaram em custos logísticos adicionais de até R$ 3 bilhões em dois anos. Quantia essa, que poderia ser revertida em melhorias na infraestrutura portuária e logística do Norte brasileiro.
Por fim, Di Gregório pontuou os benefícios que a concessão das hidrovias trará para a região.
“Estamos falando da concessão do serviço, não é a concessão dos rios. A gente fala de balizamento, de segurança, de navegabilidade, canal de acesso. Isso vai melhorar desde o pequeno ao gigante. Vamos ter muito mais segurança de navegação, não vai ter mais acidentes. Hoje navegamos no escuro, por isso temos muitos acidentes, alguns até que a gente nem sabe que acontece”, esclareceu.