Mineração
Mineração cresce no início de 2026 com alta de faturamento e exportações
Setor alcança R$ 77,9 bilhões no trimestre, com avanço das vendas externas e maior participação no superávit comercial
O setor mineral brasileiro iniciou 2026 com avanço de faturamento, aumento das exportações e nova rodada de investimentos, em um cenário que combina valorização de commodities, mudanças no ambiente regulatório e maior demanda global por minerais críticos.
Dados divulgados na quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que a indústria mineral faturou R$ 77,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 6% na comparação com o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o setor respondeu por US$ 9,29 bilhões do saldo da balança comercial brasileira — o equivalente a 66% do superávit total do país, de US$ 14,17 bilhões.
O desempenho foi acompanhado por crescimento das exportações, que somaram US$ 11,4 bilhões, avanço de 21,5%, enquanto as importações alcançaram US$ 2,1 bilhões, alta de 29%. Em volume, as vendas externas chegaram a 87,9 milhões de toneladas.
A arrecadação de tributos e taxas também avançou, atingindo R$ 26,9 bilhões no trimestre, alta de 5,5%. O setor mantinha, em fevereiro, 230.011 empregos diretos, segundo dados do Novo Caged.
O resultado ocorre em um contexto de valorização de parte relevante das commodities minerais. O ouro e o cobre puxaram o crescimento do faturamento, compensando a queda no minério de ferro, principal produto do setor.
O minério de ferro concentrou 48% da receita total, com R$ 37,5 bilhões, mas registrou recuo de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o ouro teve alta de 45%, somando R$ 13,5 bilhões, enquanto o cobre avançou 28%, com R$ 10,3 bilhões. Juntos, os dois produtos ganharam participação na composição da receita do setor.
Outros minerais apresentaram desempenho mais moderado ou negativo, como granito, calcário dolomítico e bauxita, todos com recuos no faturamento.
No mercado externo, o minério de ferro respondeu por 53,9% das exportações minerais, com US$ 6,15 bilhões, seguido por ouro (US$ 2,34 bilhões) e cobre (US$ 1,59 bilhão), ambos com crescimento expressivo. A China permaneceu como principal destino, concentrando 66% das exportações em volume.
Investimentos
O Ibram também revisou para cima a projeção de investimentos do setor. A expectativa agora é de US$ 76,9 bilhões entre 2026 e 2030, aumento de 12,5% em relação à estimativa anterior e o maior valor da série histórica iniciada no ciclo 2014-2018.
Do total previsto, US$ 21,3 bilhões devem ser destinados a minerais críticos, em linha com a crescente demanda global por insumos ligados à transição energética e à indústria de tecnologia.
Entre as principais commodities, o minério de ferro deve concentrar 25,8% dos investimentos, seguido pelo cobre, com 11,2%.
Regulação e Congresso
Os números do setor foram divulgados no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados analisa mudanças no marco regulatório do ouro. Um substitutivo ao projeto de lei 3025/2023, em tramitação, é alvo de críticas do Ibram, que avalia que o texto pode enfraquecer mecanismos de rastreabilidade e abrir espaço para a ampliação do mercado ilegal.
Segundo a entidade, a proposta retira da Agência Nacional de Mineração a atribuição de implementar o rastreamento e transfere a função para a Casa da Moeda, que não teria estrutura regulatória para a atividade. A própria agência já se posicionou contra a mudança.
Outro ponto de debate no Congresso envolve a criação de uma estatal voltada a minerais críticos e terras raras. Dois projetos em tramitação preveem a constituição da empresa, com diferentes escopos de atuação.
O Ibram contesta a proposta e avalia que os principais entraves ao desenvolvimento do segmento no Brasil estão ligados à falta de financiamento, à infraestrutura e à segurança jurídica, e não à ausência de uma empresa pública.
Atualmente, o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, estimada em 21 milhões de toneladas, mas responde por menos de 1% da produção global.
Estados e logística
Na distribuição regional do faturamento, Minas Gerais liderou no primeiro trimestre, com R$ 29,9 bilhões, seguido pelo Pará, com R$ 27,4 bilhões. Bahia, Goiás, Mato Grosso e São Paulo aparecem na sequência.
O desempenho do Pará se destacou, com alta de 12%, enquanto Mato Grosso avançou 21%. Já Goiás e São Paulo registraram queda no faturamento.
Do lado das importações, o Brasil manteve forte dependência de insumos como potássio e carvão, com destaque para o crescimento das compras desses produtos no período.
Cenário
Para o Ibram, o conjunto de indicadores aponta para um setor em expansão, impulsionado tanto pela demanda externa quanto pela valorização de minerais ligados à transição energética. Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório e as decisões em discussão no Congresso tendem a influenciar o ritmo de investimentos e a competitividade da indústria nos próximos anos.