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Mineração

Serra Verde fecha fusão e garante demanda de 15 anos para terras raras

22 de abril de 2026 às 14:50
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Contrato com SPE apoiada por agências dos Estados Unidos assegura compra integral da produção inicial e preços mínimos para minerais críticos

A Serra Verde Pesquisa e Mineração anunciou um pacote de acordos que combina integração internacional, garantia de demanda e financiamento para ampliar sua operação em Goiás, em um movimento que reposiciona o Brasil na cadeia global de terras raras. A empresa firmou um acordo de combinação de negócios com a USA Rare Earth e, simultaneamente, fechou um contrato de fornecimento de 15 anos com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) apoiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados, que comprará toda a produção inicial da mina Pela Ema, em Minaçu.

A fusão dará origem a uma companhia multinacional com presença em quatro países — Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido — e atuação em todas as etapas da cadeia produtiva, da extração à fabricação de ímãs permanentes. A operação brasileira será responsável pela etapa inicial de produção, enquanto os ativos industriais da empresa norte-americana incluem unidades de processamento, metalização e fabricação, como a Less Common Metals, no Reino Unido, a planta de ímãs em Stillwater, no estado de Oklahoma, e o depósito Round Top, no Texas.

A estrutura operacional no Brasil será mantida. O atual presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, seguirá à frente das atividades no país e também assumirá a função de diretor de operações do grupo combinado. Já a liderança global da nova companhia contará com a participação de executivos ligados ao atual grupo Serra Verde, incluindo Thras Moraitis, que passará a presidir o conselho.

O contrato de fornecimento de longo prazo estabelece a venda integral da produção da Fase I da mina de Pela Ema à SPE, com preços mínimos garantidos para disprósio e térbio, considerados elementos críticos para a produção de ímãs permanentes de alto desempenho. O modelo prevê ainda compartilhamento de ganhos em cenários de valorização dos preços no mercado internacional.

Esse mecanismo busca enfrentar um dos principais entraves do setor: a volatilidade e a baixa transparência na formação de preços, historicamente influenciada pela concentração da produção global na Ásia. Com a definição de um piso, a empresa passa a contar com maior previsibilidade de receitas, condição apontada como essencial para viabilizar investimentos em novas operações fora desse eixo.

Segundo a companhia, o acordo permitirá sustentar o processo de otimização da planta em Minaçu, além de apoiar a expansão da capacidade produtiva e garantir estabilidade econômica para a operação, com impactos diretos sobre geração de empregos e arrecadação na região.

Início

A unidade da Serra Verde iniciou produção comercial no início de 2024 e ainda está em fase de ramp-up. O projeto utiliza um depósito de argila iônica, cuja geologia permite a extração sem etapas como britagem e moagem fina, reduzindo a necessidade de processos mais intensivos. O material extraído é convertido em Carbonato Misto de Terras Raras, com presença relevante de disprósio e térbio, além de neodímio e praseodímio.

A operação também adota características operacionais voltadas à redução de impactos ambientais, como a ausência de rejeitos úmidos e o uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis, além de biocombustíveis. A unidade emprega mais de 350 trabalhadores, com predominância de mão de obra local e participação feminina superior a 30%.

A meta da primeira fase do projeto é atingir produção anual de 6.400 toneladas de óxidos de terras raras equivalentes até o final de 2027. Estudos em andamento avaliam a implementação de uma segunda fase, que poderá ampliar essa capacidade e dobrar a produção até o fim da década.

O pacote de medidas inclui ainda um financiamento de US$ 565 milhões concedido pela Corporação Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos, que substitui linhas anteriores em condições consideradas mais favoráveis. Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade produtiva, melhorias operacionais e adaptação do produto para atender mercados estratégicos, como defesa, semicondutores, centros de dados, veículos elétricos, energia eólica e indústria aeroespacial.

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