Portos
Tecnologia prevê riscos climáticos e otimiza atividades portuárias
O i4cast, desenvolvido pela startup i4sea, é uma plataforma digital que transforma dados climáticos em alertas operacionais
A i4sea, startup brasileira, desenvolveu uma tecnologia que ajuda a portos e terminais portuários a prever riscos causados pelas condições climáticas, em que muitas vezes ocasionam fechamento de canais e paralisação das operações. Em entrevista ao BE News, o CEO e cofundador da empresa, Mateus Lima, contou como a plataforma foi criada e como ela vem sendo utilizada dentro do setor portuário brasileiro e mundial.
O i4cast surgiu a partir dos sócios da companhia, que tiveram passagem pelo Instituto de Pesquisas de Previsões Operacionais da Petrobras, e trabalhavam com números e previsões numéricas no setor da oceanografia.
Na prática, a plataforma transforma dados meteorológicos e oceanográficos em alertas operacionais que são capazes de evitar prejuízos e aumentar a segurança durante as operações e atividades portuárias.
“É um Saas (software as a service), como se tem um Netflix, um Amazon Prime, um aplicativo de streaming, onde você faz seu login e acessa seja via web ou por aplicativo. Você pode pagar mensalmente, trimestral, semestral, anual. Esse é o modelo de negócio em funcionamento do nosso sistema. Em cima desse SaaS, a gente tem uma base muito sólida de inteligência artificial, para traduzir informações completas, além de recomendações”, comentou.
A plataforma integra dados meteorológicos, dados oceanográficos, modelos avançados de previsão e inteligência artificial para identificar eventos de risco com precisão de metros.
O CEO da i4sea alerta que eventos climáticos vêm aumentando consideravelmente, o que ocasiona fechamento de portos e interrupção das atividades, e que a tecnologia prevê um sólido plano de contingência.
“A gente tem estatísticas, com modelos próprios nossos e de dados públicos, que a tendência é dos eventos climáticos piorarem. A gente vem desde 2021 para 2023 onde praticamente em todos os portos do Brasil existe uma média de 60% a mais de fechamentos de portos por causa de eventos climáticos. A gente tem um estudo de 5 anos à frente, onde isso pode chegar a 150% de aumento em alguns portos, o que é um aumento considerável”, pontuou.
O executivo reitera que empresas do segmento portuário vem investindo em planos de contingência que prevê eventuais riscos com dias ou até meses de antecedência a partir da tecnologia criada pela empresa.
“Nosso objetivo é fornecer as melhores janelas permissivas e restritivas com relação ao clima para qualquer negócio. Isso se traduz nos portos para saber qual melhor horário de chegada e de saída dos navios, onde vai ter uma disrupção climática que pode ocasionar um acidente enorme, apresentar o quando ou porque para tomar as melhores decisões de planos de contingência”, disse.
Ao ser contratada pelas empresas, a i4sea disponibiliza um treinamento para os profissionais para que eles possam ter o manuseio em 100% da tecnologia.
“Existe, sim, esse trabalho de treinamento e, após esse período, não deixamos uma pessoa alocada, temos o acesso ao cliente da i4sea, mas o próprio time consegue utilizar a ferramenta de forma total sem ter conhecimento em meteorologia e oceanografia. Isso o torna ainda mais atrativo ao mercado”, pontuou Lima.
A tecnologia da i4sea está presente em diversos portos e terminais brasileiros, além de clientes em todo o mundo. Dentro do setor portuário, a startup tem 28 clientes, sendo 18 em território nacional, nos portos de Santos, Rio Grande, Paranaguá, Manaus, entre outros complexos e terminais privados.
“O melhor feedback do cliente é quando ele renova e aumenta o contrato. Esse é o feedback mais positivo possível. A gente tem clientes que estão operando há mais de cinco anos com a i4sea”, explicou.